BRAGA -
Altino Bessa diz que “súbito” despedimento de enfermeiros no Hospital de Braga é “inadmissível” e “kafkiano”

Altino Bessa exige que a decisão de despedir os enfermeiros contratos, em regime excepcional em Março para reforçar a equipa de combate à covid-19, anunciada pela administração do Hospital de Braga, seja revisita e alterada, considerando-a “inadmissível” e um “sacudir a água do capote” do Governo face ao agravamento da situação pandémica.

Em nota ao PressMinho/OAmarense, o líder da Concelhia de Braga do CDS-PP, afirma que “mais uma vez o Governo está a ‘brincar’ ao combate à pandemia”.

“Tantas medidas, tantas comunicações ao país e apercebemo-nos que na fase mais caótica para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) decidem despedir enfermeiros. Isto mais parece ter contornos kafkianos”, afirma, acrescentando, que “quase todos os dias somos assolados por imagens que nos chegam dos serviços de saúde do Vale do Sousa onde impera o cansaço, o caos e o desespero de utentes e profissionais. Perante isto o que faz o Governo? Despede enfermeiros. Isto é irrisório e totalmente inadmissível”.

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Altino Bessa diz que é “urge rever a forma de contratação e as condições laborais dos enfermeiros, mas parece que António Costa não está minimamente preocupado com esta questão”.

“Portugal pouco ou nada tem feito para fixar enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde. Assistimos a medidas irreflectidas como a oferta de contratos precários de quatro meses, a inexistência de incentivos, de subsídios de risco ou penosidade… Como se não bastasse o modo leviano como o Governo olha para esta e outras profissões, nesta fase crítica, verificamos um acto de despedimento no Hospital de Braga?”, questiona Altino Bessa, o também vereador da Protecção Civil no município bracarense.

 “É imperativo que esta decisão de despedimento de enfermeiros no Hospital de Braga seja devidamente analisada, ponderada e revista, agindo de acordo com os interesses da população. Exige-se que o bom senso e o zelo pela comunidade imperem na hora de decidir”, sustenta.

“SACUDIR ÀGUA DO CAPOTE”

Salientando que “Braga integra os 121 concelhos de maior risco; o Hospital de Braga está a recepcionar doentes covid de outras regiões do país; o Hospital de Braga é um serviço central; há utentes que veem as suas consultas e exames adiados; há serviços de diagnóstico e prevenção que, neste momento, se encontram em letargia”, Altino Bessa questiona: “perante estas e outras evidências o que é que acontece?”.

“Despedem enfermeiros. Depois não conseguimos salvar vidas. Claro que não. Continuamos no limbo e sem soluções à vista. Basta de inércia. Basta de ‘sacudir a água do capote’”, atira.

“Não podemos admitir que num cenário de crise se tomem decisões que só servem para prejudicar a população. Estamos perante uma tremenda incongruência. Isto é, são implementadas medidas urgentes que significarão um impacto lesivo para vários sectores (…) contra tudo o que é bom senso nesta fase, opta-se por accionar uma medida de despedimento que só prejudicará os serviços de saúde que já estão bastante fragilizados. Não é esta uma tremenda contradição? Andamos à volta de falácias e mais falácias”, argumenta.

“GOVERNO ESTÁ A BRINCAR”

A decisão de despedimento, “nesta fase crítica”, daqueles enfermeiros, que segundo a administração daquele hospital central só são reintegrados em caso de autorização expressa do Governo para alteração do vínculo para sem termo, é para Altino Bessa exemplo do “modo leviano” como o António Costa lida com a pandemia.

“É chegada a hora de pensar uma sintonia entre sectores público e privado. Contratualizar no sector privado, social e cooperativo é uma ‘porta’ viável (que está à vista de todos) para o apoio a doentes covid e não covid. Esta harmonia, dadas as circunstâncias, mostra-se cada vez mais premente. Só a partir da coabitação entre sectores será possível não prejudicar os inúmeros utentes que neste momento estão privados da efectivação de tratamentos e cirurgias”, defende.

 “Mas afinal que estratégia é que o Governo está a adoptar para combater a pandemia? É a estratégia do desfalque do Serviço Nacional de Saúde? Não podemos ficar apáticos perante esta decisão que, esperamos, seja revisitada e alterada”, afirma na nota.

O líder centrista conclui que “o Governo está a “brincar’ ao combate à pandemia”, apesar de concordar com algumas tomadas que considera “fundamentais para a prevenção e combate a este contexto”.

“Todavia, podemos constatar que estas medidas também se mostram parcas e, muitas vezes, não equitativas”, afirma, lembrando a alheamento do Governo face à proposta do CDS-PP de os ensinos secundário e universitário adoptarem o regime à distância para serem “evitados inúmeros contágios”.

“Assumam que esta gestão não está a resultar”, remata o presidente da concelhia centrista.