REPORTAGEM -
Bar põe moradores à beira de ataque de nervos em Braga

Ruído em excesso, gritaria e desacatos à porta de um bar são os ingredientes do cocktail que está pôr alguns moradores da praceta Beato Inácio de Azevedo, nas proximidades da Central de Camionagem de Braga, à beira de um ataque de nervos. Outros acusam ainda o estabelecimento de não respeitar as recomendações da DGS em contexto da pandemia covid-19, o que o proprietário nega, assegurando que tem meios de o provar. Entretanto, em pouco mais de um mês, a polícia já foi chamada ao local 16 vezes, a uma média de três vezes por semana.

Um dos moradores, reformado, conta ao PressMinho, que não sabe o que é “dormir há semanas, tal é o barulho” que o Lounge Club Lado Bê produz. “É raro uma noite sem barulho. Se não são as conversas e as gritarias dos bêbados, são as motas”, diz.

Falando sob anonimato com “medo de represálias” do proprietário ou de “vingança de alguns clientes amigos da casa”, garante que já manifesta sintomas de “grande abalo psicológico” por causa das “chatices” e de noites mal-passadas.

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“Já falei e escrevi ao Ricardo Rio [presidente da Câmara] mas ele diz que não pode fazer nada, que a responsabilidade é da PSP”, conta, assegurando que o nível de ruído ultrapassa o que é permitido por lei à noite para zonas residenciais.

“Chama-se a PSP e a Polícia Municipal, apresenta-se queixa à Câmara, mas ninguém se importa. Quando a Polícia vai lá as coisas voltam à normal, mas é sol de pouca dura. Mal vira as costas, lá vêm o barulho e as asneiradas outra vez”, acrescenta outro morador, emigrante em França, ouvido pelo Press Minho.

“Parece até que estão a gozar com os moradores ou a fazer de propósito para nos provocar”, aponta.

“O cúmulo –relata outro morador – aconteceu na madrugada de segunda para terça-feira passada, já passava das duas horas, quando houve uma grande cena de pancada na explanada do bar. Parecia que ia tudo pelo ar e ninguém fez nada”.

A cena foi filmada e anda pelas redes sociais, acompanhada por comentários que aconselham os moradores a denunciar a situação e a pedir o cancelamento do alvará à Câmara, que é acusada de licenciar estabelecimentos da noite sem ter em conta o meio em que se inserirá, nomeadamente no que diz respeito o seu contexto social.

Por seu turno, Paulo Costa, o proprietário do Lado Bê, desmente. “Não é verdade que não se tenha feito nada para pôr fim ao conflito”.

“Eu e o staff da casa estivemos quase vinte minutos a tentar acabar com a cena e quando vimos que não o conseguíamos chamámos a PSP, que pôs termo à confusão e acompanhou a pessoa para longe do local”, narra.

Assegura que o bar investiu em paredes anti-ruído e que tudo faz para que os clientes não façam barulho à saída “por respeito pelos moradores”, sublinhando, todavia, que compete à policia garantir a “tranquilidade na rua”

Acontece, confessa, que, “por vezes, é pior pedir aos clientes que façam menos barulho, sobretudo a clientes mais bebidos, que resolvem falar ainda mais alto”.

“Nessa altura, não nos resta chamar a PSP”, diz. “No espaço de um mês e uma semana a PSP veio aqui 16 vezes”.

Afirma que se ofereceu para colocar vidros duplos, “a expensas próprias”, nos apartamentos com frente para o bar, proposta que foi recusada.

Paulo Costa nega “peremptoriamente” e “em absoluto” que o bar não esteja a cumprir as orientações da Direcção Geral da Saúde (DGS) quando os moradores o acusam de abrir as portas a clientes noite dentro, por vezes mesmo às seis da manhã.

“Não é verdade, e as gravações de vídeo-vigilância comprovam que fechamos as portas a novos clientes às 23 horas, ficando a funcionar até às duas horas, que é a nossa hora de encerramento devidamente autorizada pela Câmara Municipal”.

Acrescenta que a esplanada fecha às 23 horas, de acordo com as determinações do Governo, e que a “fiscalização que cá veio há dias não encontrou qualquer desconformidade com as normas de DGS para a covid-19 nem qualquer outra referente ao funcionamento e licenciamento da Câmara”.

Não entende as razões por que “só a partir do fim do estado de emergência é que começaram as queixas” e “ao fim de dois anos de estarmos a funcionar ”.

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