REGIÃO -
BE acusa Câmara de Vizela de usar argumentos “injuriosos” ao associar chumbo do OE a entraves à Ponte da Aliança

O BE Vizela lamenta profundamente que o autarca “utilize deliberadamente argumentos falaciosos e injuriosos para justificar possíveis fracassos de governação e alarmar a população com o intuito de retirar dividendos político-partidários” e que “utilize o cargo para o qual foi eleito em nome dos vizelenses, para propagandear a visão enviesada de que a culpa da rejeição do OE foi dos partidos à esquerda do PS”.

O núcleo Bloco de Esquerda (BE) de Vizela manifesta, esta terça-feira em comunicado ao PressMinho, o “repúdio político” às declarações do presidente do município que associa o chumbo do Orçamento de Estado com um possível entreve à concretização da Ponte da Aliança, uma obra orçada no valor de 1,5 milhões de euros.

Os bloquistas afirmam que a recém-inaugurada ponte ‘Aliança’ (assim designada em homenagem simbólica ao Pacto de Tagilde, o acordo celebrado a 10 de Julho de 1372 na freguesia de Tagilde e que constituiu o primeiro fundamento jurídico do tratado de aliança luso-britânico) questionam o presidente da autarquia a razão de invocar o chumbo do OE como possibilidade de entrave ao acesso da o financiamento dos fundos comunitários

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O BE Vizela “lamenta profundamente” que o socialista Victor Hugo Salgado recorre a “argumentos falaciosos e injuriosos” para “justificar possíveis fracassos de governação e alarmar a população com o intuito de retirar dividendos político-partidários”.

“Sabendo-se que a obra de requalificação e revitalização da Praça da República e Jardim Manuel Faria inaugurada no passado dia 8 de Maio teve um valor estimado de 1.843.085,00€ comparticipado pelo FEDER a 100% sendo que à Câmara Municipal cabe apenas o pagamento dos trabalhos a mais ou imprevistos”, porque “é que o Sr. º Presidente põe dúvidas sobre a liquidação do financiamento por causa da rejeição do Orçamento de Estado? Qual a relação entre os factos?”, questiona o BE.

EMBUSTE POLÍTICO

Referido que no acordo de colaboração, no âmbito do Programa 1.º Direito, assinado entre a autarquia e o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) e homologado pela secretária de Estado da Habitação, ficou definida a programação estratégica das soluções habitacionais para 82 agregados, correspondentes a 142 pessoas, com carências habitacionais, o BE volta a questionar Victor Hugo Salgado, eleito pelo PS, sobre as razões de colocar “reservas quanto ao cumprimento do acordo estabelecido invocando o embuste da reprovação do OE”.

O BE lembra ainda que acordo prevê um investimento total estimado necessário ao cumprimento dos objectivos indicados no acordo de cerca 7.165 mil euros, sendo que o IHRU prevê disponibilizar um financiamento que se estima no valor máximo de pouco mais de 6.448 mil euros, de acordo com a programação financeira.

“Sabendo-se que o projecto de investimento nas margens do rio Vizela e Ribeira de Sá – tendo em vista a criação de passadiços com estrutura em madeira, iluminação led e recuperação de moinhos, com 4 percursos, num total de 8530 metros lineares – foi assinado no âmbito dos projectos de reabilitação e valorização fluvial da Assistência da Recuperação para a Coesão e os Territórios da Europa (REACT-EU), como tal, a constar de atribuição de fundos comunitários a inscrever no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) (…) porque é que o Sr.º Presidente associa a hipotética dificuldade de concretização do projeto à não aprovação do OE, quando sabe que não existe relacionamento entre os factos?”, lê-se ainda no comunicado bloquista.

“O BE Vizela concorda em absoluto com a decisão de voto contra o OE porque na verdade este documento estratégico não corresponde às prioridades económico-sociais do momento, não responde aos reais problemas dos portugueses e não salvaguarda a defesa de direitos laborais e de investimento nos serviços públicos”, remata o BE vizelense.