REGIÃO -
Eixo Atlântico quer excepção de teste covid-19 nas fronteiras Galiza/Norte do país

O Eixo Atlântico, organismo presidido pelo presidente da Câmara de Braga, pediu esta quinta-feira ao ministro da Saúde espanhol que considere a euro-região Galiza/Norte de Portugal como “excepção”, caso venha a decidir alargar às fronteiras terrestres entre os dois países a exigência de apresentação de teste negativo.

“Solicitamos ao seu Ministério, no caso de estender a norma para além dos portos e aeroportos, que considere excepcional a situação da euro-região Galiza – Norte de Portugal, de modo a permitir a continuidade das nossas actividades sociais e económicas dentro das limitações que a pandemia, principalmente, a prevenção da mesma e o bom senso aconselham”, refere a carta enviada esta quinta-feira pelo Eixo Atlântico a Salvador Illa Roca.

Recorde-se que Espanha vai passar a exigir a partir de 23 de Novembro a apresentação de um teste PCR negativo realizado 72 horas antes da chegada a um aeroporto ou porto do país de um viajante vindo de países de risco.

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Na quarta-feira, o Ministério da Saúde espanhol anunciou que as agências de viagens, operadores turísticos e empresas de transporte aéreo ou marítimo, e qualquer outro agente que venda bilhetes, devem passar a informar desta nova exigência os passageiros de países considerados de risco da pandemia de covid-19 cujo destino final seja um aeroporto ou porto espanhol.

Esta quinta-feira, o Eixo Atlântico, presidido pelo autarca de Braga, Ricardo Rio, pediu ao Governo espanhol que considere a atribuição de “discriminação positiva” aos portugueses da região Norte.

 “Quero transmitir-lhe uma situação que o seu Ministério deve levar em consideração, pois responde às circunstâncias muito características da Espanha. Refiro-me a Portugal, país com o qual Espanha partilha a fronteira mais longa e estável da Europa, com relações sociais, culturais e económicas muito fortes”, refere a missiva assinada pelo secretário-geral do Eixo Atlântico.

No documento, Xoan Mao sublinha que na euro-região Galiza/Norte de Portugal aquelas relações “adquirem o perfil de um território comum que, na prática, tem muito mais afinidades quotidianas do que as que existem, por exemplo, entre a Galiza e o Levante ou a Andaluzia”.

Segundo o Eixo Atlântico, aquele relacionamento transfronteiriço é “responsável por um fluxo constante de população, composta maioritariamente por trabalhadores transfronteiriços, mas também por estudantes e investigadores de universidades, por executivos e empresários, e por cidadãos da esfera cultural, que se deslocam semanalmente ou em muitos casos diariamente a fronteira”.

“Não é necessário explicar os problemas que a aplicação desta medida, de forma indiscriminada, causaria no desenvolvimento económico da euro-região”, alerta.

O Eixo Atlântico é uma associação que reúne 36 municípios do Norte de Portugal e da Galiza.

A nova medida do Estado espanhol cumpre a recomendação europeia de 13 de Outubro, que aconselhou os Estados-membros da União Europeia a terem por base nas suas restrições de viagem na União Europeia a situação epidemiológica, estabelecendo um código de cores por zona.

Esta medida vem juntar-se aos controlos sanitários que já se efectuam, controlo visual e temperatura, a todos os passageiros internacionais nos pontos de chegada a Espanha.

A Espanha já chegou quase aos 1.400.000 casos positivos de covid-19 desde o início da epidemia e está perto das 40.000 mortes, de acordo com dados do Ministério da Saúde espanhol.

A incidência média acumulada por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias é esta quinta-feira de 514,2 casos, inferior a países como Itália (655,4) e França (908,5), e bastante longe da Bélgica (1.458,4) e da República Checa (1.390,1).