Revelação feita pelo Presidente da Câmara em Assembleia Municipal - -
Factura da água vai aumentar em Terras de Bouro

Os treze pontos da agenda, um deles acrescentado na reunião por iniciativa da CDU, mais o período antes da ordem do dia prometiam uma Assembleia Municipal longa e agitada. E não fossem os dez minutos de intervalo concedidos pelo Presidente, Augusto Braga, estaríamos a entregar troféus de resistência aos deputados municipais. O aumento «inevitável» da factura da água, saneamento e resíduos foi uma das principais novidades da noite, revelada pelo Presidente da Câmara que assumiu falhas na limpeza dos caminhos municipais por falta de assistentes operacionais e problemas com máquinas.

As águas e o saneamento foram o grande tema da Assembleia Municipal de Terras de Bouro. Quase todos os partidos questionaram Manuel Tibo sobre uma panóplia de assuntos referentes a esta matéria. Isménia Loureiro do PSD foi a primeira a abrir as “hostilidades” questionando sobre a rede pública de água e como tinha corrido o Verão. «Temos novos ramais, novos contadores e novos furos. Este Verão correu bem até demais mas, em determinadas zonas, ainda, houve algumas falhas. Um Concelho com duas albufeiras, dois rios e duas termas, com uma população de sete mil habitantes não pode ter problemas de água», começou por responder o autarca.

«Se queremos investimento, temos que ter receita e por isso, a factura da água, saneamento e resíduos vai aumentar até por imposição da ERSAR» e deixou críticas aos anteriores executivos: «hoje, está mais do que provado que as promessas que fizeram para realizar obras de saneamento nunca iriam para a frente. Optaram por manter os preços baixos em detrimento da realização de obras».

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Ora Manuel Tibo quer “cortar” com estas práticas: «pedimos para que os investimentos previstos até 2021 fossem antecipados porque temos que resolver os problemas de uma vez por todas, mas, para isso, e para termos acesso a fundos comunitários, teremos que cumprir as regras da ERSAR, aumentando o valor da factura dos consumidores». Um valor que ainda não está definido mas «não será nada de extraordinário».

Contaminação

Eduarda Pereira do Movimento Independente “Terras de Bouro O Nosso Partido” questionou o autarca sobre «alegadas contaminações da rede pública de água em algumas zonas do Concelho» e quis saber «a periocidade das análises, se os resultados são tornados públicos e onde e se nos temos que preocupar com a qualidade da água».

«Confirmo que durante um dia e meio, houve focos de contaminação de água nas Freguesias de Souto e Balança detectados pelas análises feitas pela saúde pública. Fizemos a limpeza dos depósitos e de toda a área envolvente e pode estar sossegada com a qualidade da água», respondeu Manuel Tibo esclarecendo que «a informação é colocada nas Juntas de Freguesias envolvidas e estas avisam as populações».

Rede em alta

Voltou a ser o PSD a perguntar como estava a situação da rede em alta no Gerês e aqui, Manuel Tibo fez revelações surpreendentes: «a Freguesia de Valdozende não existia nos mapas das Águas de Portugal. Não havia nada, um ramal, uma ligação assinalados nos documentos oficiais. Por isso, com a ajuda de técnicos e do Presidente da Junta estamos a fazer o levantamento exaustivo na Freguesia de todas as captações, que investimento é preciso fazer e onde é necessário corrigir».

O autarca revelou ainda que «a nossa intenção sempre foi acabar com as ETAR’s de Rio Caldo e da Vilar da Veiga e construir uma nova que suportasse todos os resíduos das três Freguesias. Entretanto, foi-nos dito pelo responsável máximo das Águas de Portugal que está prevista a construção de uma ETAR em S. João da Cova, em Vieira do Minho, para onde seriam conduzidos às águas destas três Freguesias. É um problema que não é nosso e para o qual estamos a aguardar uma resposta».

CDU

Alexandre Pereira da CDU conseguiu incluir no período da ordem do dia, uma moção sobre a transferência de competências para as autarquias que o actual Governo está pensar fazer. «Uma transferência sem o correspondente envelope financeiro o que irá onerar ainda mais os cofres das autarquias», referiu o deputado. «É um cheque em branco porque as autarquias não sabem quanto vão receber. A moção diz que é necessário saber quanto vão as autarquias receber ou que pelo menos as regras fiquem bem definidas».

Mais desenvolvimentos na edição de Outubro do jornal o Amarense