PAÍS -
Linhas de crédito? “Os bancos estão à espera não sei de quê”, diz António Costa

António Costa garante que o Governo desenhou um plano de grande amplitude para que as empresas conseguissem dar resposta à crise. No debate quinzenal, esta quarta-feira, questionado pelo CDS-PP, que criticou a eficácia das linhas de crédito criadas pelo Governo, o primeiro-ministro apontou o dedo aos bancos.

António Costa refere que a Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua (SPGM) já aprovou mais de 5,5 mil milhões de euros às empresas, enquanto os bancos só disponibilizaram 1,5 mil milhões de euros de garantias bancárias. 

“Os bancos não estão à espera da SPGM. Estão à espera não sei de quê, e as empresas estão à espera”, rematou Costa.

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O CDS sublinhou que Portugal é o único país da Europa que ainda não divulgou projecções macro-económicas nem de finanças públicas e pediu ao Executivo que apresente um plano de retoma da economia.

Questionado sobre o prolongamento do lay-off simplificado, para além dos três meses, António Costa deixou para a reunião com os partidos a identificação de novas medidas para apoiar as empresas, embora não coloque de parte a possibilidade de o regime de lay-off ser prolongado.

António Costa deixou a certeza de que é “absolutamente essencial” garantir os postos de trabalho dos trabalhadores. “Temos de proteger as empresas e os rendimentos dos portuguesas”, finaliza o governante.

Já em relação aos processos de lay-off, o chefe de Governo indica que que o Estado está a apoiar apenas 0,3% de grandes empresas. A esmagadora maioria dos processos pertence a pequenas empresas.

O primeiro-ministro revelou ainda que foram reforçados os quadros da Autoridade para as Condições do Trabalho para responder à crise, e que já foram realizados mais de quatro mil processos de inspeção a empresas em lay-off, o que corresponde a 140 mil trabalhadores. “Este esforço é essencial. Os mais frágeis são os que estão mais expostos aos efeitos da crise”.

António Costa lembra ainda que a crise acentua as dificuldades dos mais vulneráveis. “A crise não é igual para todos. Todos estamos sujeitos ao vírus, mas os efeitos não são idênticos”.