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Marcelo afasta a ideia de que Portugal esteja numa segunda vaga e reforça que os comboios não são a origem dos surtos

O presidente da República disse esta quarta-feira, após a reunião com o Infarmed, em Lisboa, que não há ligação entre os surtos de covid-19 e o transporte ferroviário. Marcelo Rebelo de Sousa afirmou também que o país não está a viver uma segunda vaga da doença, mas ainda os efeitos da primeira onda da pandemia.

O presidente da República diz que a preocupação com Lisboa continua e pede dados mais finos sobre os casos de covid-19. Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no final da reunião do Infarmed.

O chefe de Estado, primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República, líderes partidários, patronais e sindicais reuniram-se esta quarta-feira pela décima vez com especialistas para avaliar a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, no Infarmed, em Lisboa.

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Estas sessões, que começam com apresentações técnicas e depois têm uma fase de perguntas, foram uma iniciativa do primeiro-ministro, António Costa, com um objectivo de partilha de informação, e ultimamente têm-se focado mais na Área Metropolitana de Lisboa, onde tem surgido a maioria dos novos casos de infecção pelo novo coronavírus.

O presidente do PSD, Rui Rio, considerou em entrevista ao Porto Canal, divulgada no sábado, que estas reuniões no Infarmed “começam a ter pouca utilidade” e deveriam “dar uma fotografia objectiva e curta” da situação, seguida de “conselhos técnicos”.

Após a última reunião, há duas semanas, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que habitualmente faz uma síntese das conclusões aos jornalistas, relatou que vários especialistas recomendaram a opção por “medidas concretas e específicas para áreas geográficas também específicas”, ao “nível de freguesia”, em vez de “medidas genéricas”.

O chefe de Estado considerou que esse foi “um dos pontos mais interessantes” dessa sessão, e afastou cenários de descontrolo da propagação da doença em Portugal e de ruptura ou pré-ruptura do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Entretanto, o Governo tomou decisões nesse sentido, colocando a generalidade do território nacional em situação de alerta devido à pandemia de covid-19, com excepção da Área Metropolitana de Lisboa, onde 19 freguesias continuaram em situação de calamidade e as restantes passaram a contingência.

Nestas sessões no Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, em Lisboa, participam ainda, por vídeo-conferência, os conselheiros de Estado.