O escritor João Luís Barreto Guimarães recebeu este sábado, de forma oficial, o Prémio Literário Francisco Sá de Miranda, instituído pelo Centro de Estudos Mirandinos (CEM) e patrocinado pela Câmara de Amares, no valor de 7.500 euros.
No início de junho, a autarquia divulgou que o médico, tradutor e poeta português João Luís Barreto Guimarães, com o livro “Aberto Todos os Dias”, venceu a quarta edição do Prémio Literário Francisco Sá de Miranda, tendo a distinção sido entregue este sábado, numa cerimónia realizada na sala de eventos do Convento de Santa Maria de Bouro.
De acordo com o diretor do CEM, Sérgio Guimarães de Sousa, a obra – de um total de cerca de 200 a concurso – mereceu, por unanimidade, a distinção do júri, pela sua capacidade de “usando de uma linguagem muito acessível, enfatizar e valorizar os objetos do dia a dia que, à primeira vista passam despercebidos, e extrair dessa objetualidade do quotidiano, novos sentidos, novas significações”.
“Quando há oito anos abraçamos este projeto questionávamo-nos sobre a melhor forma de homenagear o poeta Sá de Miranda e a melhor forma de lhe prestar homenagear foi, sem dúvida, através deste prémio”, começou por referir o presidente da Câmara de Amares, Manuel Moreira.
“Mais do que o valor monetário do prémio, que tem naturalmente a sua relevância, é a mensagem que queremos transmitir em termos culturais: a de valorizar este grande homem das letras. É esse o nosso verdadeiro objetivo. Espero que Amares continue a investir na cultura, mantendo-se fiel à sua história e ao seu património”, sublinhou.
Já João Luís Barreto Guimarães disse que a atribuição deste prémio “é surpreendente porque acaba por cumprir aquilo que era uma intenção secundária à sua escrita”. “A intenção primária é egoísta: eu escrevo para mim. Eu sou um leitor voraz de poesia e agora de tetro também e acho que quem é assim acaba por escrever aquilo que gostaria de ler. Eu escrevo aquilo que gostaria de ler”, confessou o escritor.
“Desde o início que percebi que era sobre o que me rodeava que tinha que escrever, apresentar a banalidade com algo que nos provoca assombro como se fosse visto pela primeira vez”, rematou João Luís Barreto Guimarães, dizendo que é um trabalho “de um esforço enorme que tem que ser balizado por uma austera tesoura para que possa surpreender”.
Dinamizado pelo Centro de Estudos Mirandinos e patrocinado pela Câmara de Amares, este prémio de periodicidade bienal tem um valor monetário de 7.500 euros. Contempla a modalidade de poesia e destina-se a autores de língua portuguesa, com o objetivo de homenagear e divulgar o poeta e humanista Francisco de Sá de Miranda, bem como incentivar a criação literária no domínio da poesia.
João Luís Barreto Guimarães sucede, como vencedor do Prémio Literário Francisco Sá de Miranda, a Nuno Júdice (“Mito da Europa”, 2019), Ana Luísa Amaral (“Ágora”, 2021) e José Tolentino de Mendonça (“Introdução à Pintura Rupestre”, 2023).
Em cada edição do prémio literário são admitidas a concurso obras editadas em livro e cuja primeira edição tenha ocorrido durante os dois anos civis anteriores ao ano a que se refere o concurso, escritas em língua portuguesa.























