Portugal entrou oficialmente em fase epidémica de gripe, com um crescimento significativo do número de infeções e um aumento de internamentos, incluindo em unidades de cuidados intensivos. A situação levou a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, a convocar, esta terça-feira, uma conferência de imprensa para deixar alertas e reforçar medidas de prevenção.
Só na última semana de novembro foram registados mais de 700 casos confirmados, um sinal claro de que, segundo a ministra, “as próximas oito semanas serão particularmente exigentes”. Ainda assim, Ana Paula Martins garantiu que o Serviço Nacional de Saúde está preparado para enfrentar o acréscimo de procura, embora reconheça que será necessário exigir mais de todos os profissionais.
A ministra avisou que, caso se verifique uma sobrecarga das urgências, poderá ser inevitável suspender atividade cirúrgica programada, mantendo apenas cirurgias urgentes e oncológicas.
Perante o aumento da pressão hospitalar, reforçou o apelo à prevenção, recomendando o uso de máscara em espaços fechados, proteção contra o frio e a utilização dos canais de triagem antes de recorrer às urgências: “É fundamental contactar primeiro a linha SNS 24 (800 24 24 24) ou o centro de saúde, para reservar as urgências hospitalares para situações realmente graves.”
Embora a gripe seja sazonal, este ano está a manifestar-se mais cedo e poderá ter um impacto superior ao de épocas anteriores, alertou a ministra. Por isso, reiterou a importância da vacinação, gratuita para os grupos prioritários.
“Num período festivo de maior convivência, é essencial mantermos a calma e a responsabilidade, para atravessarmos esta fase em segurança e com a alegria que todos merecemos”, concluiu Ana Paula Martins.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Portugal entrou em fase epidémica a 5 de dezembro.
O Boletim de Vigilância Epidemiológica revela que, entre 24 e 30 de novembro, a taxa de incidência de infeções respiratórias agudas graves subiu para 10,5 casos por 100 mil habitantes.
Também no mesmo dia, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) alertou para dificuldades na vacinação de pessoas fora dos grupos elegíveis, devido à escassez de vacinas nos laboratórios.












