Na discussão do orçamento municipal de Amares para 2026, o presidente da Câmara, Emanuel Magalhães, reconheceu que «este não é o orçamento perfeito», justificando que «não há condições para fazer de outra forma neste momento». Magalhães garantiu, ainda assim, «empenho para que as coisas evoluam no futuro».
PS critica prazo de análise e acusa documento de falta de ambição

O vereador socialista Pedro Costa lamentou o curto prazo para análise do documento. Embora entregue dentro do limite legal de 48 horas, considerou que “foi insuficiente para um documento tão extenso”.
Classificando o orçamento como “um manifesto de continuidade que não denuncia a herança do passado”, o vereador afirmou que a receita municipal continua excessivamente dependente das transferências do Estado, o que “prova a baixa autonomia financeira do Município”.
Pedro Costa criticou ainda a ausência de estratégia para aumentar receitas próprias; o peso das despesas, que “consomem 67% do orçamento”; e a subida das despesas com pessoal, que aumentam meio milhão de euros, para 7,8 milhões, com mais 20 funcionários no mapa de pessoal.
O PS lamentou também a inexistência de verba para o Monte de São Pedro Fins e para o Museu da Geira, e a falta de «um critério claro» na distribuição de verbas pelas freguesias.
No final, justificou a abstenção dizendo que o orçamento «não assume metas que libertem das amarras os que ainda cá moram» e que «não é o modelo de desenvolvimento que Amares precisa».
Álvaro Silva vota contra e denuncia «mesma linha política do passado»

O vereador independente Álvaro Silva votou contra o orçamento, criticando aquilo que considera ser a continuação das políticas do anterior executivo. «Prevía-se uma estratégia diferente, mas mantém-se a mesma linha política. Não se vê estratégia para o desenvolvimento do concelho», afirmou.
Apontou ainda a ausência de uma nova relação com as freguesias; a falta de política de transferência de competências; e a inexistência de mudança no relacionamento com instituições.
Para o vereador, «o investimento é demasiado reduzido» e o nível de receitas provenientes de taxas «igualam o investimento previsto, o que significa que não há esforço adicional de captação de recursos». Criticou também o crescimento da despesa corrente, o aumento da massa salarial e mais de 100 mil euros em horas extraordinárias.
Álvaro Silva concluiu que o documento revela «falta de rigor, aumento da despesa corrente e ausência de uma visão estratégica, com investimento insuficiente no saneamento».
Rui Tomada manifesta reservas, mas dá voto de confiança

O vereador independente ‘Amar e Servir Amares’ Rui Tomada partilhou algumas das preocupações levantadas pelos colegas da oposição, pedindo esclarecimentos sobre uma verba de 100 mil euros destinada à freguesia de Dornelas.
O presidente esclareceu que o montante será aplicado nas infraestruturas básicas e acessibilidades do complexo habitacional em construção, 12 habitações sociais, financiado pelo PRR.
Embora tenha lamentado o aumento de 1,4 milhões na rubrica de aquisição de bens e serviços, Rui Tomada decidiu votar favoravelmente, justificando com a abertura do executivo para acolher propostas da oposição.
Ainda assim, deixou um aviso: «De hoje a um ano terei outra atitude perante os mesmos documentos, se não houver mudanças».












