Assembleia Municipal de Amares aprova orçamento de 29,3 milhões para 2026

A Assembleia Municipal de Amares aprovou esta sexta-feira à noite, por maioria, o orçamento de 29,3 milhões para o próximo ano, documento que teve o voto contra do movimento Renascer Amares e a abstenção do PS.

Para o presidente da Câmara, Emanuel Magalhães, este é um “orçamento feito com pouco tempo de trabalho, de transição”, mas assente em “responsabilidade” e já com uma “aposta clara em áreas fundamentais”, como o saneamento e a água.

O autarca disse que o município vai “projetar 33 quilómetros” para prolongar a rede de saneamento e está contemplado um “valor significativo” para a criação de uma Estação de Tratamento de Água (ETA), sendo que também as “áreas do lazer e das margens dos rios serão apostas”.

Do lado da bancada do PSD, Mário Paula lembrou o “curto período de trabalho do atual executivo camarário” e elogiou “o equilíbrio e a responsabilidade” do documento, que “cumpre uma das regras de ouro do equilíbrio orçamental”, já que “a receita prevista supera a despesa corrente”, libertando 2,2 milhões de euros para investimento.

“Isso demonstra a solidez financeira e a capacidade de projetar o concelho com visão estratégica”, salientou Mário Paula, destacando que o aumento de transferências para as Juntas de Freguesia é um “sinal inequívoco de confiança” nos autarcas locais.

RENASCER AMARES CONTRA

Entendimento totalmente diferente manifestou Elisa Brandão, do movimento Renascer Amares, que votou contra por entender que o orçamento para 2026 “mantém a mesma lógica, as mesmas opções e, sobretudo, a mesma ausência de visão estratégica” dos anos anteriores.

No caso das freguesias, apesar do aumento das verbas, Elisa Brandão considerou que “falta planeamento e orientação” e nas outras áreas, como o saneamento, defendeu que o investimento previsto “fica muito aquém do que o concelho precisa”, tendo também manifestado preocupação com o facto de os “custos fixos dispararem”.

Para o Renascer Amares, “o concelho precisa de mais ambição, mais estratégia e mais responsabilidade política”.

PS ABSTÉM-SE

O PS absteve-se, mas o líder da bancada socialista, Domingos Paulo Silva, deixou também muitas críticas a um “modelo conservador” e que “perpetua a gestão anterior”. Destacou a “dependência do Estado” no que toca a receitas e o facto de a “despesa corrente absorver cerca de dois terços do orçamento”, que mostra um “crescimento desenfreado da massa salarial”.

“Temos rubricas abertas para múltiplas obras quando sabemos que dificilmente sairão do projeto. Planeamento em Amares é um mero exercício burocrático”, criticou Domingos Paulo Silva, que disse que a abstenção do PS é um “cartão amarelo” à gestão camarária.

“Sabemos que a casa estava desorganizada, mas este orçamento não responde às necessidades dos amarenses”, apontou, garantido que os socialistas não serão “muleta de um modelo que já provou ser parte do problema e não da solução”.

ASA E CHEGA A FAVOR

Os eleitos do movimento independente Amar e Servir Amares (ASA) e do Chega votaram a favor, embora tenham aproveitado a discussão do ponto para deixar vários reparos e sugestões.

Márcia Macedo lembrou que o atual executivo está em funções há pouco tempo e disse que o Amar e Servir Amares votou favoravelmente por “responsabilidade institucional e política”, tendo realçado que um eventual chumbo do orçamento teria “efeitos nefastos” no concelho.

“Está em voga ser do contra, criticar, mas somos todos amarenses e temos de pensar em Amares. Política não é teatro e Amares não é o palco”, salientou, sublinhando que existe uma “diferença significativa entre fiscalização crítica e sabotagem política”.

Ainda assim, Márcia Macedo criticou a “autonomia financeira praticamente nula”, o “investimento muito aquém do necessário” no saneamento e pediu que o município avance com a reorganização dos serviços municipais para melhorar a capacidade de resposta.

Do lado do Chega, o pouco tempo de funções do executivo foi igualmente sublinhado por José Manuel Faria, que admitiu não gostar do orçamento, mas disse que o partido votou a favor para dar o “benefício da dúvida” à equipa de Emanuel Magalhães.

Para José Manuel Faria, o atual presidente da Câmara “tem de ter coragem de meter as mãos na massa” e atacar dois “setores fundamentais para que haja impulso a sério no desenvolvimento do concelho: a modernização dos serviços e remodelação do serviço do urbanismo”.

O representante do Chega pediu também que o município seja cada vez mais transparente, aumentando a fiscalização sobre as entidades a quem atribui verbas. “Ajudar não é despejar dinheiro”, enfatizou Faria, para quem “o executivo tem de ter o cuidado de saber para onde vai o dinheiro que canaliza para as instituições”.

O documento foi aprovado com os votos a favor do PSD, do movimento independente Amar e Servir Amares, do Chega e da generalidade dos presidentes de Junta, com dois votos contra do Renascer Amares e oito abstenções do PS, incluindo os dois autarcas de freguesia eleitos pelo partido (Dornelas e Bouro Santa Maria).

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