O suspeito de esfaquear mortalmente “Manu” junto ao Bar Académico da Universidade do Minho em abril de 2025, em Braga, não vai prestar declarações durante o julgamento, segundo a informação adiantada pelo seu advogado, esta segunda-feira, data da primeira sessão judicial.
“[O arguido] já falou em primeiro interrogatório judicial, já falou no interrogatório complementar, e hoje não vai prestar declarações nem vai falar durante o julgamento. É previsível que não volte a falar durante o julgamento”, revelou o advogado António Falé de Carvalho aos jornalistas, à entrada do Tribunal de Braga, minutos antes do arranque do julgamento, sob fortes medidas de segurança, tanto no exterior como no interior do tribunal.
Falé de Carvalho deu ainda conta de que o seu cliente já recebeu ameaças, antes e depois de já estar na cadeia, sublinhando que a equipa jurídica que defende o arguido também já foi alvo de “alguns avisos” por terceiros. O advogado admitiu, inclusive, pedir proteção policial ao coletivo de juízes, caso se justifique.
Na sessão desta segunda-feira está previsto que o tribunal ouça os testemunhos de vários inspetores da Polícia Judiciária (PJ) e de uma “testemunha ocular”, que acompanhava a vítima mortal na madrugada de 12 de abril de 2025.
Matheus Marley Machado, cidadão brasileiro, atualmente com 28 anos, está acusado de homicídio qualificado e detenção de arma proibida. Encontra-se em prisão preventiva, desde abril do ano passado, altura em que foi detido pela Polícia Judiciária (PJ).
Segundo a acusação, os factos começaram às 01h18, num dos espaços interiores do Bar Académico da Universidade do Minho, quando a vítima, Manuel Gonçalves (“Manu”), de 19 anos, confrontou um dos elementos que integravam o grupo do arguido, por ter tido a perceção de que um deles teria adulterado a bebida de uma jovem cliente do estabelecimento.
Posteriormente, já na via pública, em frente ao bar , “iniciou-se uma contenda, com confrontos físicos”.
“Nesse contexto, o arguido, na posse de uma faca e empunhando e brandindo a mesma, avançou de encontro ao ofendido, que estava desarmado e, uma vez junto deste, desferiu-lhe três golpes, atingindo-o mortalmente”, acrescenta a acusação.
O MP requereu a aplicação ao arguido, de nacionalidade brasileira, da pena acessória de expulsão de Portugal.
No processo, a família da vítima pede uma indemnização de 750 mil euros.
O arguido está a aguardar julgamento em prisão preventiva.
Poucos dias depois do crime, o Bar Académico foi encerrado, mas deverá reabrir já em fevereiro.












