Amares. Polémica em Besteiros devido a portão no acesso ao Largo do Senhor do Areal

A colocação de um portão no Largo do Senhor do Areal, em Besteiros, no concelho de Amares, está a criar muita polémica na comunidade e originou uma tomada de posição da Comissão de Festas, que diz tratar-se de uma “tentativa de apropriação” de um local público. A Câmara de Amares e a GNR já estiveram no local.

Segundo o jornal O Amarense apurou, em causa está o facto de o dono de uma casa ali existente, emigrante em França, ter recentemente mandado colocar um portão na entrada do largo, por entender que aquela zona lhe pertence, o que inviabiliza o acesso à zona de lazer e ao bar gerido pela Comissão de Festas do Senhor do Areal.

Em comunicado, a comissão deu conta da “profunda indignação” que existe em Besteiros devido a esta “situação de extrema gravidade”. “O histórico recinto das festas, um espaço que pertence à memória e ao uso da nossa comunidade há décadas, está a ser alvo de uma tentativa de apropriação privada que a população recusa aceitar”, pode ler-se na nota.

A comissão salienta que “há mais de 50 anos que este Largo do Areal é o coração” da festa da freguesia e que “em 2004 foram construídos a zona de lazer e o bar com fundos das comissões de festas”, tendo mais tarde sido “aplicados dinheiros públicos no pavimento e nos muros, sem qualquer contestação de propriedade privada na altura”.

“Se nada for feito, corremos o risco real de não podermos realizar as festas do Senhor do Areal, um golpe terrível na cultura e devoção da nossa freguesia”, apontam os festeiros, reiterando que aquele espaço “sempre foi de usufruto público”.

ENTREGUE AOS ADVOGADOS

Contactado pelo jornal O Amarense, o presidente da União de Freguesias de Ferreiros, Prozelo e Besteiros, João Andrade, disse que a situação está neste momento entregue aos serviços jurídicos da Câmara de Amares.

“O proprietário da casa alega que aquele local lhe pertence. No entanto, até agora, nunca existiu qualquer vedação, houve investimentos públicos ali realizados e o espaço sempre foi usado pela população. Portanto, esta é uma situação nova, que está a ser tratada pelos advogados das partes”, explicou.

O jornal O Amarense contactou também o presidente da Câmara de Amares, Emanuel Magalhães, que garantiu que o município “agiu em conformidade” quando foi alertado para o que se passava, tendo “mandado parar a intervenção que estava a ser feita”.

“O processo está a seguir os trâmites que tem de seguir, nomeadamente em termos jurídicos, mas aquilo que posso dizer é que a Câmara Municipal não abdicará nunca da defesa do interesse público”, assegurou Emanuel Magalhães.

Entretanto, a família do visado reagiu,  rejeitando qualquer tentativa de apropriação indevida (AQUI).

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