A polémica em torno da instalação de um portão no acesso ao Largo do Senhor do Areal, na freguesia de Besteiros, em Amares, ganhou novos contornos com o esclarecimento da família do alegado proprietário do terreno.
Num email enviado à redação do jornal O Amarense, Vanessa Soares, filha do visado, rejeita qualquer tentativa de apropriação indevida, assegurando que o espaço em causa é propriedade privada há vários anos. “Nunca existiu qualquer tentativa de apropriação indevida, mas sim uma atitude de boa-fé e tolerância ao longo do tempo”, refere.
Segundo aquela, o proprietário terá permitido, ao longo dos anos, a utilização do terreno durante as festividades locais, por respeito à tradição e à ligação à comunidade. Contudo, denuncia que essa utilização terá evoluído para um uso contínuo e abusivo, ultrapassando o âmbito inicialmente autorizado. “O meu pai sempre permitiu, de forma voluntária, a utilização do espaço exclusivamente durante as festividades locais, por respeito à tradição e à sua ligação afetiva a Besteiros”, esclarece.
A família aponta ainda a realização de intervenções no espaço sem consentimento dos proprietários e afirma que, recentemente, surgiram tentativas de formalização de situações que poderiam colocar em causa a titularidade do terreno. “Foram inclusivamente realizadas intervenções sem qualquer autorização dos proprietários. Apesar disso, os meus pais optaram por não criar conflitos, precisamente para preservar o espírito da festa. Acresce ainda que a nossa família foi obrigada a tomar medidas após ter conhecimento de tentativas de formalização de situações que poderiam colocar em causa a titularidade do terreno, o que consideramos absolutamente inaceitável”. sublinha.
Entre as preocupações apresentadas está também a alegada utilização do espaço como bar permanente, sem as devidas licenças, além de queixas relacionadas com ruído, que terão afetado a tranquilidade da família. “Atualmente, a situação tornou-se insustentável, com a utilização do espaço como um bar permanente, aberto durante todo o ano, o que levanta sérias questões legais, nomeadamente ao nível de licenças e autorizações, inexistentes para um espaço privado“, acrescenta.
AUTORIDADES REAGEM E ASSUNTO SEGUE POR VIA JURÍDICA
A controvérsia teve origem após a colocação de um portão no acesso ao largo, situação que motivou críticas de membros da Comissão de Festas do Senhor do Areal, que classificou o caso como uma tentativa de apropriação de um espaço de uso público há décadas.
Contactado anteriormente, o presidente da União de Freguesias de Ferreiros, Prozelo e Besteiros, João Andrade, indicou que o processo está a ser analisado pelos serviços jurídicos do município, sublinhando que o espaço sempre foi utilizado pela população e alvo de investimento público.
Também o presidente da Câmara Municipal de Amares, Emanuel Magalhães, garantiu que o município já interveio, tendo mandado suspender os trabalhos no local, e assegurou que a autarquia irá defender o interesse público.
No esclarecimento agora divulgado, a família do proprietário reforça que nunca pretendeu impedir a realização das festas locais, mas sim salvaguardar um terreno que considera ser sua propriedade legítima, numa disputa que deverá agora ser resolvida por via jurídica.












