Water Damage trazem ao vivo a estética da repetição infinita a Braga

A banda norte-americana Water Damage prepara-se para uma digressão em Portugal, com atuações marcadas para o gnration, em Braga, a 29 de março, no festival Tremor, nos Açores, e na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa.

Oriundos da cena experimental de Austin, no Texas, os Water Damage apresentam-se como um coletivo de formação variável, reunindo entre cinco e onze músicos em palco. O grupo distingue-se pela utilização simultânea de múltiplos instrumentos — incluindo baterias, baixos, guitarras, sintetizadores, saxofones e violinos — numa abordagem sonora densa e imersiva.

Formado por músicos com percursos ligados a projetos como Swans, USA/Mexico, Thor & Friends, more eaze, Spray Paint ou Black Eyes, o coletivo integra nomes reconhecidos da música experimental contemporânea. Entre eles destacam-se David Grubbs, conhecido pelo trabalho com Gastr del Sol, o multi-instrumentista Patrick Shiroishi, a compositora Mary Maurice e Thor Harris, figura marcante do underground texano.

A estética sonora da banda assenta numa lógica de repetição e acumulação, característica do chamado drone rock. Seguindo o princípio de “repetição máxima, desvio mínimo”, os Water Damage constroem paisagens sonoras a partir de padrões contínuos, que evoluem gradualmente até se transformarem em estruturas amplas e envolventes.

Em estúdio, o coletivo privilegia processos criativos abertos, permitindo que as composições se desenvolvam sem um fim previamente definido. Essa abordagem reflete-se na discografia do grupo, que inclui os álbuns “Repeater” (2022), “2 Songs” (2023), “In E” (2024) e “Instruments” (2025), além de um registo ao vivo captado no festival Le Guess Who? em 2025.

Nos concertos, a experiência é marcada pela intensidade sonora e pela imersão prolongada, convidando o público a abdicar da perceção convencional do tempo e a entrar num fluxo contínuo de som, onde o fim não é necessariamente um destino, mas uma possibilidade em aberto.

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