Agrupamento de Baldios lidera intervenção pioneira no controlo de espécie invasora no Parque Nacional da Peneda-Gerês

O Agrupamento de Baldios da Serra do Gerês (ABSG) iniciou trabalhos no terreno para controlar e erradicar a espécie invasora Hakea sericea (háquea) no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), abrangendo mais de 40 hectares nos concelhos de Terras de Bouro e Montalegre.

As ações integram dois projetos financiados pela International Union for Conservation of Nature and Natural Resources (IUCN), através do programa europeu European Invasive Alien Species Rapid Response Fund, e incidem sobre áreas onde foram identificados núcleos ainda reduzidos da espécie, numa fase inicial de invasão.

Com caráter preventivo, a intervenção pretende evitar a propagação da háquea em ecossistemas de elevado valor ecológico, onde a biodiversidade nativa é particularmente vulnerável. A espécie apresenta elevado potencial de dispersão, podendo alterar significativamente os ecossistemas, reduzir a biodiversidade e aumentar o risco de incêndio.

O objetivo passa por erradicar e monitorizar focos iniciais, através da remoção de plantas isoladas e pequenos núcleos, promovendo simultaneamente a regeneração natural dos habitats.

As ações incluem métodos de controlo físico seletivo, como a remoção manual de plantas jovens, o corte de exemplares adultos ao nível do solo e a queima controlada do material vegetal, de forma a eliminar o banco de sementes e reduzir o risco de regeneração. As intervenções seguem práticas sustentadas em bases científicas e cumprem a legislação em vigor, sendo acompanhadas por um plano de monitorização contínuo.

Os trabalhos decorrem em cinco comunidades locais de baldios associadas ao ABSG — Rio Caldo, Vilar da Veiga, Ermida, Fafião, Pincães e Cabril — tendo já sido concluídas intervenções em Fafião. As restantes ações prolongam-se nos próximos meses.

O ABSG teve um papel ativo na identificação e planeamento das intervenções, bem como na captação de financiamento e implementação das ações no terreno, em articulação com comunidades locais e entidades responsáveis pela gestão do território.

A iniciativa pretende não só prevenir impactos ecológicos mais graves, como também reduzir custos futuros de controlo e reforçar a resiliência dos ecossistemas.

Considerados pioneiros no controlo desta espécie no PNPG, os projetos têm duração de um ano. O ABSG espera que possam ter um efeito mobilizador junto das entidades competentes, incentivando novas intervenções e a criação de linhas de financiamento nacional que garantam a continuidade das ações de conservação.

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