O ministro da Administração Interna, Luís Neves, reiterou o apelo à limpeza de terrenos florestais e agrícolas, alertando para a possibilidade de Portugal enfrentar um verão “muito duro” no que respeita ao risco de incêndios rurais.
“O verão, já o disse várias vezes, vou enfatizar, pode vir a ser muito duro. O trabalho, para que seja menos duro e menos difícil, é de todos”, afirmou o governante durante uma conferência de imprensa realizada nos Bombeiros Sapadores de Leiria.
Luís Neves sublinhou a importância da colaboração dos proprietários e da população na identificação e limpeza de terrenos com acumulação de material combustível, defendendo uma ação preventiva antes do período crítico de incêndios.
“Queremos apelar a todos, à população, aos proprietários, que sejam igualmente parte deste momento de limpeza, de identificação de fragilidades”, referiu.
O governante falava no âmbito de um ponto de situação sobre o trabalho desenvolvido pelo Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), estrutura criada para reduzir o risco de incêndio rural após os danos provocados pelas tempestades que afetaram o país nos primeiros meses do ano.
O CIPO tem como missão a remoção de material combustível acumulado, limpeza de áreas críticas, reabertura de caminhos florestais e melhoria de acessos, envolvendo várias entidades ligadas à proteção civil, segurança e gestão florestal.
Integram esta estrutura a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, a Guarda Nacional Republicana, a Liga dos Bombeiros Portugueses e o Estado-Maior-General das Forças Armadas.
Recordando os efeitos das tempestades de janeiro e fevereiro, o ministro admitiu que os danos causados em áreas florestais, caminhos e habitações aumentam a preocupação das autoridades relativamente à próxima época de incêndios.
“O próximo verão, por todas estas circunstâncias, poderá ser muito difícil, mais difícil do que anos anteriores”, advertiu.
Luís Neves apelou ainda à colaboração ativa da população, defendendo que o sucesso das ações preventivas depende também da participação das comunidades locais.
“Só com o vosso apoio, só com o vosso conhecimento, com a vossa diligência, com a limpeza que podem fazer, identificando perante esta equipa, é que nós estaremos ainda mais capacitados a poder-vos ajudar”, afirmou.
O ministro manifestou também o desejo de que a ação fiscalizadora da GNR não tenha de chegar à fase sancionatória, privilegiando uma lógica de sensibilização e prevenção em detrimento da aplicação de contraordenações.
Durante a intervenção, destacou ainda a articulação entre diferentes organismos do Estado e entidades de proteção civil, considerando que o trabalho conjunto demonstra a capacidade de resposta integrada perante situações de risco.
“Somos uma única equipa com competências distintas, mas que se cruzam no objetivo comum de salvaguardar a vida das pessoas, a nossa forma de vida e a coesão do território”, concluiu.












