As fichas clínicas de crianças no SNS24 terão sido acedidas indevidamente através das credenciais de um médico registado na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Minho, num caso que está a gerar preocupação sobre uma eventual falha de cibersegurança no Serviço Nacional de Saúde.
A Ordem dos Médicos confirmou à agência Lusa ter recebido dezenas de queixas relacionadas com alegados acessos indevidos a processos clínicos de menores, todos associados ao nome de um médico da ULS Alto Minho.
Em declarações à Lusa, o bastonário, Carlos Cortes, referiu que a instituição recebeu na quinta-feira à noite “um aviso” sobre a situação e que foram ativados procedimentos internos para avaliar se poderia tratar-se de uma infração deontológica.
Na manhã desta sexta-feira, a Ordem dos Médicos enviou ofícios ao Ministério Público, aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e à ULS do Alto Minho, onde o profissional exerce funções.
“Eu próprio contactei todas estas entidades diretamente, também estou a tentar perceber – dada a dimensão da situação e as dezenas de queixas que a Ordem dos Médicos já recebeu hoje de manhã – e tanto quanto é possível perceber, até ao momento, parece que estamos perante uma situação de cibersegurança”, afirmou Carlos Cortes.
O bastonário sublinhou que a situação ainda terá de ser apurada pelas entidades competentes, referindo que essa responsabilidade não cabe à Ordem dos Médicos.
“Estamos a aguardar, estamos em contacto direto com estas três entidades”, acrescentou, garantindo que a Ordem está disponível para colaborar no esclarecimento do caso.
Segundo Carlos Cortes, tudo indica que a situação estará “no domínio da área informática do Serviço Nacional de Saúde”, embora essa conclusão ainda careça de confirmação oficial.
Nas redes sociais, vários utentes relataram notificações de acesso a processos clínicos de crianças através do SNS24, indicando consultas aos registos médicos em diferentes locais e horários.
Alguns pais terão recebido alertas sobre acessos aos dados dos filhos, sobretudo de crianças pequenas, o que motivou contactos com centros de saúde e, em alguns casos, a apresentação de queixas junto das autoridades de saúde e da polícia.
De acordo com esses testemunhos, várias unidades de saúde terão registado um elevado volume de chamadas relacionadas com a alegada situação.












