A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso formalizou esta segunda-feira a adesão ao Plant Based Treaty, iniciativa internacional que promove a transição para sistemas alimentares de base vegetal como resposta às alterações climáticas, à perda de biodiversidade e à degradação dos ecossistemas. A assinatura da moção decorreu no Centro de Interpretação do Carvalho de Calvos, marcando simultaneamente o arranque da segunda edição da Semana do Ambiente, que decorre entre 1 e 5 de junho.
O Município foi representado pelo presidente da Câmara Municipal, Frederico Castro, enquanto o Plant Based Treaty esteve representado por Noel Santos, responsável da organização em Portugal, que procedeu à entrega do certificado de subscrição.
A adesão coloca a Póvoa de Lanhoso numa rede mundial de municípios comprometidos com políticas alimentares mais sustentáveis, reforçando a estratégia ambiental do concelho e o seu alinhamento com os objetivos globais de combate às alterações climáticas.
Durante a sessão de abertura, Frederico Castro destacou a importância da sensibilização das gerações mais jovens para a adoção de boas práticas ambientais.
“Queremos que as faixas etárias que estão neste momento na escola tenham oportunidade de estabelecer um contacto com esta necessidade de termos asseguradas boas práticas e uma proteção ambiental que se verifica depois nas políticas que são desenvolvidas junto dos mais jovens”, afirmou o autarca.
Segundo o presidente da Câmara, grande parte do trabalho de transformação ambiental deverá passar pelas escolas e pelas novas gerações. “É isso que vai fazer a diferença a médio e longo prazo”, sublinhou, defendendo a necessidade de preparar o concelho para os desafios da sustentabilidade.
A cerimónia contou ainda com a presença do vereador do Ambiente, Gilberto Anjos, da vereadora da Educação, Fátima Moreira, da vice-presidente da CCDR-N, Gabriela Leite, do segundo secretário executivo da CIM do Ave, Sérgio Castro Rocha, da representante da CONFAGRI, Isabel Santana, e do diretor executivo da Braval, Pedro Machado, entre outras entidades e especialistas.
O programa da manhã incluiu dois painéis de debate. O primeiro, subordinado ao tema “Transformar resíduos em recursos: o papel das entidades públicas, agrícolas e ambientais”, reuniu representantes de várias organizações ligadas ao ambiente e ao setor agrícola. O segundo painel, “Transformar recreios: mais verde, menos cimento – crianças felizes?”, contou com a participação de responsáveis educativos, associações ambientais e técnicos municipais, refletindo sobre a importância dos espaços escolares na promoção do bem-estar e da educação ambiental.
Na assistência estiveram estudantes, técnicos especializados, elementos da Proteção Civil e colaboradores da autarquia.
O primeiro dia da Semana do Ambiente terminou com uma eco-caminhada dinamizada pela ASPEA e um showcooking dedicado à preparação de lanches saudáveis e sustentáveis, promovido pelo Plant Based Treaty. Ao longo da semana estão previstas diversas ações de sensibilização dirigidas à comunidade e aos feirantes da Feira Semanal.
Medidas concretas para uma alimentação mais sustentável
Com a adesão ao Plant Based Treaty, a Câmara Municipal assume um conjunto de compromissos destinados a reduzir a pegada ecológica do concelho e a promover hábitos alimentares mais sustentáveis.
Entre as medidas previstas destaca-se a introdução de dois dias mensais com refeições 100% vegetais como opção padrão nas cantinas escolares sob responsabilidade municipal. Está igualmente previsto o estabelecimento de um protocolo com o Plant Based Treaty para formação técnica das Instituições Particulares de Solidariedade Social fornecedoras de refeições e da nutricionista municipal, com o objetivo de garantir menus vegetais equilibrados, nutritivos e apelativos.
O plano contempla ainda a realização de workshops, oficinas e showcookings de gastronomia vegetal nos eventos municipais, bem como a integração de sessões práticas sobre alimentação saudável e económica no projeto “Cozinha Feliz”, dirigidas às famílias do concelho.
Outro dos eixos estratégicos passa pela revitalização das Hortas Comunitárias, através da sua reestruturação e eventual relocalização para zonas de maior densidade residencial. A autarquia pretende transformar estes espaços em polos de soberania alimentar, educação ambiental e coesão social, beneficiando da consultoria técnica do Plant Based Treaty para alinhar o projeto com as melhores práticas internacionais.
Está também prevista uma campanha de literacia alimentar, com materiais adaptados para escolas, espaços públicos, unidades de saúde e outros equipamentos municipais, centrada na relação entre alimentação, saúde e sustentabilidade.
Um exemplo para outros municípios
Para Frederico Castro, a adesão representa mais um passo na afirmação da Póvoa de Lanhoso como um território ambientalmente responsável.
“Esta é uma das formas com as quais podemos contribuir para a sustentabilidade e para a proteção do meio ambiente. Esperamos que a nossa adesão possa ser inspiradora e motivadora para que outros municípios possam também aderir a esta nobre causa”, afirmou.
Por sua vez, Noel Santos considerou que a mudança dos hábitos alimentares é um desafio exigente, mas necessário. O responsável recordou que Portugal se tem afastado progressivamente dos princípios da dieta mediterrânica e defendeu um maior consumo de leguminosas, legumes e fruta fresca como forma de reduzir o impacto ambiental da alimentação.
Entre os benefícios esperados pela autarquia estão a redução do consumo de água associado às refeições, a diminuição das emissões de dióxido de carbono, a contenção de custos, o reforço da elegibilidade para fundos europeus ligados à sustentabilidade e a promoção da saúde pública através da literacia alimentar.
Com esta adesão, a Póvoa de Lanhoso reforça a sua estratégia ambiental e posiciona-se como um dos municípios portugueses que procura integrar a sustentabilidade alimentar no centro das políticas públicas locais.












