Guimarães acolheu a conferência “Espaço: Conhecimento, Defesa e Economia”, iniciativa integrada no programa da reunião do Conselho de Ministros realizada na cidade, que reuniu representantes do Governo, da academia, das Forças Armadas, centros de investigação, empresas e especialistas para debater o papel de Portugal na Economia do Espaço e o desenvolvimento das indústrias aeroespacial e da defesa.
O encontro, realizado no Centro Cultural Vila Flor, contou com a participação do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e do secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, reforçando a importância atribuída pelo Governo ao desenvolvimento da Economia do Espaço.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, defendeu que o concelho reúne condições únicas para assumir um papel central na estratégia nacional de soberania tecnológica, científica e industrial ligada ao setor espacial.
O autarca destacou três projetos estruturantes que sustentam esta visão: a requalificação da antiga Fábrica do Arquinho, a instalação da primeira fábrica portuguesa de satélites óticos na antiga Fábrica do Alto, em Pevidém, e o Minho Defense Hub, localizado no Avepark. Segundo Ricardo Araújo, estes investimentos constituem os pilares de um ecossistema que liga conhecimento, investigação, inovação e capacidade industrial.
Entre os projetos em desenvolvimento, o presidente da autarquia destacou o investimento de 17 milhões de euros na reabilitação da antiga Fábrica do Arquinho, que acolherá o Departamento de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho, o Fibrenamics e o Guimarães Space Hub.
“Em Guimarães, estamos hoje a construir uma nova relação com o futuro”, afirmou o autarca, sublinhando que o concelho está a desenvolver uma estratégia baseada na cooperação entre universidades, centros de investigação, empresas e instituições públicas.
Ricardo Araújo defendeu ainda que a aposta na Economia do Espaço representa uma oportunidade de diversificação e valorização para o tecido empresarial da região, permitindo que setores tradicionais, como a metalomecânica, o têxtil, o calçado, os moldes ou os polímeros, integrem cadeias de valor associadas às indústrias aeroespacial e da defesa.
“Esta agenda não é apenas sobre satélites. É também sobre a economia real de Guimarães e da nossa região”, salientou.
A conferência ficou igualmente marcada pela apresentação do relatório “Portugal no Espaço”, por Carlos Elavai, que analisou o posicionamento nacional neste setor e identificou oportunidades para reforçar a competitividade portuguesa na nova economia espacial.
Mais do que acolher um debate estratégico de âmbito nacional, Guimarães saiu da conferência reforçada como um dos territórios mais bem posicionados para liderar o desenvolvimento da Economia do Espaço em Portugal, conjugando investimento, capacidade industrial, conhecimento científico e uma estratégia orientada para a inovação tecnológica.














