A CDU Braga considera que a intervenção prevista para o Nó de Infias, cujo arranque está apontado para os próximos meses e conclusão prevista para 2028, será insuficiente para resolver os problemas de trânsito no concelho, defendendo a necessidade de uma estratégia integrada de mobilidade assente em obras estruturais e no reforço dos transportes públicos.
Em comunicado, a coligação PCP/PEV sustenta que a empreitada, embora importante, “como medida isolada, não resolve o problema”, sobretudo nas ligações de saída da cidade em direção aos concelhos de Ponte de Lima, Vila Verde e Amares.
Segundo a CDU, os constrangimentos registados diariamente resultam da falta de planeamento da rede viária e dos transportes públicos, da saturação das principais infraestruturas rodoviárias e da forte dependência do transporte individual.
A coligação defende que apenas uma política de mobilidade mais abrangente permitirá reduzir o congestionamento automóvel, conciliando investimentos rodoviários com alternativas de transporte coletivo e modos suaves de deslocação.
Entre as prioridades apontadas encontra-se a construção integral da Variante do Cávado, uma infraestrutura que considera essencial para desviar do centro urbano o tráfego de atravessamento proveniente do norte do distrito, nomeadamente dos concelhos de Ponte de Lima, Vila Verde e Amares, com destino à rede de autoestradas.
A CDU recorda que o PCP apresentou uma proposta nesse sentido durante a discussão do Orçamento do Estado, a qual acabou rejeitada com os votos contra do PSD e do CDS e a abstenção do PS. Ainda assim, sublinha que, meses mais tarde, Governo e Câmara Municipal de Braga reconheceram a necessidade de avançar com esta intervenção.
No entender da coligação, o projeto da Variante do Cávado deverá contemplar igualmente corredores dedicados ao transporte público, tornando a utilização dos meios coletivos mais atrativa do que o recurso ao automóvel particular.
Outra das medidas consideradas estruturantes é a criação de uma ligação ferroviária direta entre Braga e Guimarães, que, segundo a CDU, permitiria reforçar a oferta ferroviária e retirar um número significativo de veículos das estradas da região.
A criação de um passe intermodal e inter-regional é igualmente apontada como um instrumento decisivo para incentivar a utilização dos transportes públicos e reduzir a circulação automóvel.
Além destas propostas, a CDU defende o reforço da oferta dos Transportes Urbanos de Braga (TUB), a criação de parques de estacionamento periféricos gratuitos e ligados à rede de transportes públicos, o desenvolvimento de uma rede de ciclovias e a realização de intervenções municipais destinadas a retirar o tráfego de atravessamento do centro da cidade.
No comunicado, a coligação critica ainda a suspensão do projeto do Bus Rapid Transit (BRT), alertando para a possibilidade de a empresa responsável pela empreitada adjudicada reclamar uma indemnização ao Estado.
Para a CDU, importa agora apurar qual será o impacto financeiro dessa eventual compensação, defendendo que os recursos públicos deveriam ser canalizados para o reforço dos TUB e para soluções estruturais que contribuam para uma mobilidade mais eficiente e sustentável no concelho de Braga.












