O vereador do movimento Renascer Amares, Álvaro Silva, questionou esta quinta-feira o executivo camarário sobre o futuro da Casa da Botica, adquirida pelo município em 2024, defendendo que a autarquia precisa de uma “estratégia clara” para aproveitar oportunidades de financiamento e valorizar o património existente no concelho.
Numa intervenção feita durante a reunião de câmara, Álvaro Silva lembrou que a Casa da Botica foi adquirida por 400 mil euros, por decisão do anterior executivo, mas salientou que “o edifício continua encerrado, sem obras conhecidas, sem um projeto apresentado publicamente e sem qualquer calendário que permita aos amarenses perceber quando — ou mesmo se — aquele investimento cumprirá a finalidade que justificou a sua aquisição”.
“Adquirir património é importante. Mas muito mais importante é recuperá-lo, valorizá-lo, dar-lhe uma função e colocá-lo ao serviço da comunidade. Caso contrário, corre-se o risco de transformar um investimento significativo de recursos públicos num imóvel sem utilização, sem dinamização e sem qualquer retorno para o concelho”, apontou.
Segundo o vereador do Renascer Amares, “os amarenses esperam que o município aproveite todas as oportunidades de financiamento disponíveis, em vez de deixar passar, sucessivamente, oportunidades que poderiam representar mais património recuperado, mais cultura, mais turismo e mais desenvolvimento para o concelho”.
A esse respeito, Álvaro Silva lembrou que está aberto, até ao final de julho, o período de candidaturas ao aviso “Cultura – Iniciativas Âncora Regionais (“Rotas do Norte”)”, no âmbito do Programa Norte 2030, destinado a apoiar operações de salvaguarda, valorização e promoção do património cultural da Região Norte integrado nas “Rotas do Norte”.
Álvaro Silva sublinhou que “continua a ser difícil identificar uma estratégia clara e consistente” por parte do município no que toca ao património cultural e aludiu também ao caso do Mosteiro de Rendufe, considerando “fundamental impedir que o tempo continue a destruir um dos mais importantes patrimónios do concelho”.
JANELA DE OPORTUNIDADE
Na resposta, o presidente da Câmara de Amares, Emanuel Magalhães, disse que a Casa da Botica não é um imóvel classificado e que, por isso, “tem de ter um caminho diferente” em relação ao aviso referido por Álvaro Silva. “Já há projeto e há trabalho que está a ser feito no sentido de se encontrar uma janela de oportunidade”, garantiu o autarca.
Sobre o Mosteiro de Rendufe, Emanuel Magalhães sublinhou que, embora seja classificado, não é propriedade do município, estando atualmente afeto ao instituto público do Património Cultural. Ainda assim, o presidente da autarquia salientou o trabalho feito no sentido da salvaguarda patrimonial, o que levou a que recentemente tenha sido realizada uma intervenção no mosteiro.
“Foi o presidente da Câmara de Amares quem, junto do presidente do Património Cultural, disse que era preciso intervir na consolidação das paredes e no sentido de se fazerem estudos geotécnicos. Neste momento, está aberto o acesso a uma zona que estava vedada e que podia ruir a qualquer momento”, apontou.
Emanuel Magalhães reiterou a ideia de que, “mais importante do que pensar o futuro” do Mosteiro de Rendufe, “importa garantir a salvaguarda patrimonial”. “O município de Amares vai a jogo onde é possível ir a jogo”, concluiu.












