A população idosa em Portugal está a crescer a um ritmo cinco vezes superior ao da população em idade ativa, revelam os dados divulgados pela Pordata no âmbito do Dia Mundial da População, que se assinala este sábado.
Segundo a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Portugal registou em 2025 um total de 11,4 milhões de habitantes, o valor mais elevado de sempre e o sétimo ano consecutivo de crescimento populacional, impulsionado sobretudo pelo aumento da imigração.
No entanto, a evolução demográfica mantém uma tendência de envelhecimento. Em 2025, o país contava com 7.346.647 pessoas em idade ativa e 2.665.777 cidadãos com 65 ou mais anos. Face ao ano anterior, a população ativa aumentou 0,3%, enquanto o número de idosos cresceu 1,6%.
“O número de idosos está a aumentar a um ritmo cerca de cinco vezes superior ao da população ativa”, destaca a Pordata, sublinhando que Portugal dispõe atualmente de apenas 2,76 pessoas em idade ativa por cada idoso. A região Centro apresenta o rácio mais reduzido, com 2,24 pessoas em idade ativa por cada residente com 65 ou mais anos.
Portugal entre os países mais envelhecidos da União Europeia
De acordo com dados do Eurostat, Portugal ocupa atualmente o terceiro lugar entre os países mais envelhecidos da União Europeia, com 182 idosos por cada 100 jovens.
A transformação da estrutura etária nacional é evidente nas últimas décadas. Entre o início de 2001 e o início de 2025, a proporção de crianças e jovens até aos 15 anos diminuiu de 16,3% para 12,6%, enquanto o peso da população idosa aumentou de 16,3% para 23%. No mesmo período, a população em idade ativa passou de 67,4% para 64,5% do total.
Diferenças regionais marcam evolução demográfica
Os dados da Pordata revelam também fortes contrastes territoriais. Desde 2015, a Península de Setúbal e a Grande Lisboa foram as regiões com maior crescimento populacional, com aumentos de 19,1% e 18,3%, respetivamente.
Estas foram igualmente as únicas regiões onde o crescimento da população ativa conseguiu acompanhar ou superar o aumento do número de idosos. Na Grande Lisboa, a população em idade ativa cresceu 23%, enquanto na Península de Setúbal aumentou 21,6%.
Em sentido contrário, a região Norte apresenta uma evolução mais estagnada da população ativa, com um crescimento de apenas 0,7% desde 2015 e praticamente sem variação face a 2024. No mesmo período, o número de idosos aumentou 31%.
As regiões autónomas registaram perdas na população ativa. Nos Açores, a força de trabalho diminuiu 8,7% desde 2015, enquanto a população idosa cresceu 26%. Na Madeira, a população ativa reduziu-se 3% e o número de idosos aumentou 31,2%.
Imigração trava perda populacional e ajuda a sustentar natalidade
Apesar do envelhecimento demográfico, a população residente em Portugal aumentou 10,2% desde 2015, evolução associada ao aumento da esperança de vida e ao crescimento da imigração.
Em 2024, Portugal ultrapassou pela primeira vez a marca de 1,5 milhões de residentes estrangeiros. Embora o ritmo de crescimento tenha abrandado nos últimos anos — de 44% entre 2021 e 2022 para 14% em 2024 e 4% em 2025 — a população estrangeira continua a representar um peso significativo na estrutura demográfica nacional.
Segundo a Pordata, os residentes estrangeiros tiveram também um papel relevante na evolução da natalidade. Sem os nascimentos de mães estrangeiras, a quebra dos nascimentos no período pós-pandemia teria sido de 15,1%. O peso dos bebés nascidos de mães estrangeiras passou de 10% no período pré-pandemia para 21,6% no período posterior.
Ainda assim, Portugal mantém níveis historicamente baixos de natalidade. Entre 2021 e 2025, os nascimentos foram 2,5% inferiores aos registados entre 2015 e 2019.
Longevidade aumenta, mas reforça desafio do envelhecimento
O aumento da esperança média de vida é outro fator determinante no envelhecimento da população. Portugal apresenta atualmente uma esperança de vida à nascença de 82,5 anos, situando-se na nona posição entre os países da União Europeia com maior longevidade.
Os dados divulgados no Dia Mundial da População, este ano subordinado ao tema “Concretizar as esperanças e aspirações dos jovens – hoje e no futuro”, evidenciam os desafios que Portugal enfrenta na gestão de uma população cada vez mais envelhecida, conciliando sustentabilidade económica, renovação geracional e qualidade de vida para todas as idades.












