Com o mês de agosto a concentrar a maior parte das festas e romarias do país, as empresas de pirotecnia receiam que se repitam as proibições de lançamento de fogo de artifício impostas durante períodos de alerta por risco de incêndio, alertando para os elevados prejuízos já registados este verão.
De acordo com o Jornal de Notícias, o setor estima perdas superiores a um milhão de euros na sequência da situação de alerta que vigorou entre os dias 3 e 6 de julho, período em que ficaram proibidos os espetáculos pirotécnicos em todo o território continental.
Apesar disso, os empresários revelam alguma expectativa de que os contactos mantidos com o Ministério da Administração Interna possam conduzir a uma alteração das regras, permitindo a realização de espetáculos em locais onde não exista risco de incêndio rural, como centros urbanos, zonas ribeirinhas ou espaços fechados.
Ao JN, David Costa, da Pirotecnia Minhota, em Ponte de Lima, considera que uma proibição generalizada “não faz sentido”, dando como exemplo espetáculos realizados em ambientes urbanos, como os da Romaria da Senhora d’Agonia, em Viana do Castelo. O empresário refere que a sua empresa registou prejuízos entre 250 mil e 300 mil euros devido ao cancelamento de eventos previstos para aquele período.
Também Joaquim Melo, da GJR Pirotecnia e Explosivos, de Penafiel, e dirigente da Associação Nacional de Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE), critica o que considera serem “decisões totalitárias”, defendendo que o setor continua a ser tratado como o “bode expiatório” dos incêndios florestais. Só a sua empresa contabiliza perdas superiores a 150 mil euros, estimando que, a nível nacional, os prejuízos das associadas ultrapassem já um milhão de euros.
Segundo explica ao Jornal de Notícias, muitos dos espetáculos cancelados acabam por não ser reagendados, sobretudo quando integrados em festivais ou festas populares, o que representa uma perda efetiva de negócio para as empresas.
Carlos Macedo, presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Pirotecnia e Explosivos (APIPE) e responsável pela Macedo’s Pirotecnia, de Felgueiras, também critica os “cortes cegos” impostos pelo Governo, considerando que as proibições nacionais ignoram as especificidades de cada local. A empresa que dirige sofreu prejuízos na ordem dos 200 mil euros, após o cancelamento de vários espetáculos.
As associações do setor esperam agora que, caso sejam decretadas novas situações de alerta durante o verão, as restrições sejam aplicadas de forma mais diferenciada, permitindo a realização de espetáculos em locais onde o risco de incêndio seja inexistente ou reduzido.












