OPINIÃO -
A Rede Social de Amares está “doente”!

As Redes Sociais, enquanto  mecanismo político de apoio às populações foram criadas e implementadas entre no final dos anos 90 e o princípio do novo milénio, por Governos de matriz socialista.

No conceito, trata-se de um programa que incentiva agentes que atuam na área social a juntarem esforços, desde o setor público – Segurança Social, Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, a saúde, as escolas, etc. – ao privado – com IPSS, entre outras. O desafio é trabalharem em rede, para trabalhar situações de pobreza e exclusão e promover o desenvolvimento social local através de um intenso trabalho em parceria. O conceito em si é muito pertinente, pois já vão longe os tempos em que as instituições se afirmavam e produziam resultados apenas por si. 

Amares teve a felicidade de contar com excelentes executantes – técnicos e políticos – na implementação da sua Rede Social, tornando-a um modelo para a região. No caso, as dinâmicas de parceria geradas criaram melhores condições de trabalho para todos os intervenientes no território Amarense.

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O custo das operações saiu beneficiado deste trabalho de parceria. As respostas beneficiaram dos melhores profissionais e as especialidades técnicas tornaram-se mais ajustadas dentro das organizações. As novas problemáticas sociais, contaram com a Rede como uma “teia” de intervenção social, com muito mais trabalho no terreno, apoiado por alguns agentes locais, nomeadamente as Juntas de Freguesia. Por outro lado, as Redes Sociais permitiram uma muito melhor e mais rápida capacidade de resposta e intervenção.

O problema é que muitas Redes Sociais se “municipalizaram”, tornando-se quase meros serviços das Câmaras Municipais, prescritoras de documentos e pareceres, perdendo-se o pensamento crítico, a discussão sobre a evolução das problemáticas, a apresentação de novas dificuldades, a avaliação dos recursos e equipamentos disponíveis… basicamente, perdeu-se todo o trabalho de Rede!

Outro grande problema desta tendência é que muitas Câmaras Municipais gerem as Redes Sociais como se fossem “suas”, instrumentalizam-nas, politizam-nas, quando o conceito de rede deve colocar todos os que a integram em pé de igualdade, num plano de discussão estritamente social, em função de um único interesse: os cidadãos.

A Rede Social de Amares foi perdendo esta orientação coletiva, que fez com que os parceiros, por já não verem o seu tempo rentabilizado nestes fóruns, se fossem afastando. A Rede Social de Amares e os seus núcleos de intervenção já pouco reúnem, não cumprem o seu calendário de reuniões e quando o fazem é porque surge algum pedido particular a precisar de um parecer. 

Ou seja, a Rede Social em Amares é hoje uma organização meramente reativa, que não se encontra, não planeia, não previne, o que faz com a política de equipamentos sociais seja uma “anarquia” e a gestão dos problemas sociais seja feita no improviso, ao telefone, ou às portas dos gabinetes.

Hoje a colaboração e cooperação entre organizações faz-se por brio das instituições que querem envolver-se assim e não por organização. A rentabilização de recursos, no sentido de todos canalizarem os seus esforços no local e no tempo certo é fundamental, mas só acontece amiúde por iniciativa das instituições que têm essa visão.

Uma Rede Social só estará viva, eficiente e assertiva na sua função, se for capaz de manter todos os parceiros motivados dentro do seu “ecossistema”. 

Subalternizados e usados em papéis convenientes vai sempre afasta-los e prejudicar a força viva do trabalho em rede.