OPINIÃO -
A Tradição já não é o que era… e ainda bem!

Os tempos que vivemos transformaram tudo, inclusive o jeito como nos apropriamos do mundo que nos rodeia. A provar isso mesmo, a forma surpreendemente positiva como os Amarenses têm reagido a modos diferentes de atuar em sociedade.

Por exemplo, a tradição da Páscoa ficou fortemente afetada com a pandemia que o mundo está a viver. Há dias um amigo de fora do concelho perguntava se íamos ter a famosa travessia do compasso na freguesia de Fiscal. Infelizmente não aconteceu, contudo, no Largo D. Gualdim Pais uma lindíssima exposição de cruzes produzidas por seniores do concelho despertou de forma diferente o espírito da Páscoa em todos nós.

Aliás, Amares também já tinha reagido tão bem no Natal passado a uma iniciativa diferente promovida pelo “Movimento Eu compro em Amares”. Simplesmente, este movimento atreveu pensar de forma simples, altruísta e fora dos padrões políticos e sociológicos vigentes. A adesão aconteceu em massa!

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Mas então, o que está a acontecer? 

Não sendo sociólogo, mas acreditando que conheço minimamente este mundo que me viu crescer, creio que as pessoas estão disponíveis para mudanças. Creio mesmo que as pessoas já só acreditam nas coisas, se elas representarem mudança.

O povo dá sinais de resiliência. Os latinos são gente de improviso, de adaptação fácil às adversidades, com tudo o que isso representa e nunca a velha máxima “quem não tem cão caça com gato” esteve tão impregnada nos dias das nossas sociedades. 

Se bem usada, esta é uma lição atualíssima e importantíssima, mas que a história já nos foi pincelando com pistas. Nos Descobrimentos provamos ser um povo capaz do inacreditável – enquanto o Mundo não o pensava possível – de igual forma que fomos recentemente a França conquistar um Europeu, na casa daqueles que outrora nos acolheram como “empregados”! E, sim, também os nossos valorosos emigrantes nos provam a mesma capacidade de acreditar na mudança, desde os tempos em que alguns, entre balas saltaram rios e montanhas, encurralados entre a PIDE e a Espanha Franquista.

Voltando à lição, essa mesmo que nos dias de hoje é fundamental aprender. É essencial fazer diferente, já que no “normal” ninguém acredita, pois foi estragado e ensopado em mentiras e enganos.

Quem não ousar não sobrevive a esta tormenta. Aqueles que não derem respostas sérias estão condenados.

Os responsáveis políticos têm uma ultima oportunidade, ou então… levarão para sempre consigo o rótulo dos imprestáveis. Daqueles que no fim da linha do poder ficarão isolados e sem os “filhos de ocasião” que os abandonarão quando já para nada lhes servirem.