O mês de abril poderá revelar-se ainda mais difícil do que março para o setor da energia, mesmo que o conflito com o Irão encontre uma solução rápida, alertou o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.
O responsável explicou que, ao contrário do que aconteceu em março — quando alguns navios ainda conseguiram entregar cargas previamente preparadas —, em abril não foi possível carregar novos fornecimentos no Golfo, agravando a pressão sobre os mercados energéticos.
As declarações surgiram após um encontro entre a AIE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, com o objetivo de coordenar respostas ao impacto da guerra no Irão na economia global. A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, destacou a necessidade de acompanhar não só a crise, mas também a forma como os países estão a reagir.
Já o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, garantiu que as instituições estão preparadas para mobilizar recursos significativos, podendo disponibilizar entre 50 e 60 mil milhões de dólares nos próximos meses para apoiar os países mais afetados.
Fatih Birol classificou a situação como “a mais importante crise energética da história”, sublinhando que não afeta apenas o petróleo e o gás natural, mas também outros produtos essenciais como fertilizantes, petroquímicos e até hélio.
A crise foi agravada pelo conflito iniciado a 28 de fevereiro, após ofensivas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, tendo Teerão respondido com o bloqueio do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de energia.
O presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou o bloqueio daquela via estratégica e chegou mesmo a ameaçar “eliminar imediatamente” qualquer embarcação iraniana que tente atravessar a zona, aumentando o receio de uma escalada do conflito.
Segundo a AIE, mais de um terço das infraestruturas energéticas dos países do Golfo foram gravemente danificadas, o que deverá prolongar os efeitos da crise mesmo após o fim das hostilidades.
Apesar do cenário preocupante, a AIE mantém algum otimismo, lembrando que mais de 80% das reservas estratégicas mundiais continuam disponíveis. Ainda assim, apelou aos países para evitarem restrições às exportações e agirem de forma coordenada.
Refletindo a instabilidade, o preço do petróleo Brent para entrega em junho subiu 4,36% no mercado de Londres, aproximando-se dos 100 dólares por barril, impulsionado pelo receio de agravamento da situação no Estreito de Ormuz.












