Alerta. Portugueses com as carteiras mais vazias

As famílias portuguesas foram as que mais viram os seus rendimentos reais encolher nos primeiros três meses do ano, entre os vários países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). De acordo com os dados divulgados, em causa está um recuo de 4,5% explicado pelo enquadramento fiscal.

“Portugal registou o maior decréscimo (-4,5%) do rendimento real das famílias per capita da OCDE, sobretudo devido à subida dos impostos a pagar, com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita também a contrair (-0,6%).

Esta subida nos impostos aconteceu depois de um decréscimo no trimestre anterior em resultado de mudanças no regime fiscal“, observa a organização, numa nota enviada esta quinta-feira às redações.

RENDIMENTO REAL DAS FAMÍLIAS CAI 4,5% 

De notar que as taxas efetivas dos impostos (nomeadamente, do IRS) não têm sido agravadas em Portugal. Pelo contrário, até houve um alívio. Mas a receita fiscal tem subido, por efeito, nomeadamente, do próprio aumento dos rendimentos.

Por outro lado, é de realçar que esta quebra trimestral do rendimento real das famílias portuguesas acontece depois de ter sido registado um reforço de 5,03% no último trimestre de 2024. E essa foi, na altura, subida mais elevada entre os países da OCDE.

Já em contraste com o registado em Portugal entre janeiro e março, no conjunto da OCDE, os primeiros três meses do ano foram sinónimos de um aumento de 0,1% do rendimento real das famílias per capita, desacelerando, ainda assim, face ao aumento verificado no trimestre anterior (0,6%).

Já entre os 20 países para os quais há dados disponíveis, dez registaram aumentos do rendimento real das famílias e os outros dez recuos.

No primeiro desses grupos, o Chile destaca-se, tendo registado o crescimento mais robusto do rendimento real das famílias per capita (3,1%), como mostra o gráfico acima. A explicar essa subida estão, aponta a OCDE, a redução da inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto per capita (0,5%).

Entre os países que saem melhor na fotografia, estão ainda a Hungria (com um aumento de 1,9% do rendimento real das famílias), a Bélgica (1,3%) e a Austrália (1,1%).

Já entre os dez países onde o rendimento real dos agregados recuou, além de Portugal, estão a Áustria (com uma descida de 2,1%), a Grécia (recuo de 1,9%) e a Chéquia (1,5%).

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