Alto Minho regista 100 incêndios numa semana e exige mais meios de combate

O presidente da Federação de Bombeiros de Viana do Castelo, Germano Amorim, exigiu esta terça-feira “seriedade” no combate aos incêndios, através de dispositivos disponíveis durante todo o ano, referindo que na última semana registaram-se 100 fogos no distrito.

“Há cada vez mais incêndios durante todo o ano. Na última semana de Janeiro tivemos cerca de 100 incêndios no distrito de Viana do Castelo e essa despesa não pode continuar a ser suportada pelas associações humanitárias, compostas ainda maioritariamente por bombeiros em regime de voluntariado”, afirmou o responsável, citado numa nota enviada esta terça-feira à imprensa.

Germano Amorim disse “não ser admissível que o Estado continue a fazer dos bombeiros autênticos burros de carga no que refere à garantia da protecção civil nacional”.

Segundo o presidente da Federação de Bombeiros do Alto Minho, com sede em Arcos de Valdevez, as corporações de voluntários “suportam mais de 85% dos serviços de INEM, apagam incêndios de graça, garantem transporte de doentes não urgentes a preços verdadeiramente miseráveis, que não acompanham sequer a taxa de inflação nacional anual e o brutal aumento de combustíveis, sem qualquer tipo de discriminação positiva a favor de quem é o garante do sossego do Estado sem que nada se peça em troca a não ser respeito e dignidade”.

Para Germano Amorim, “as alterações climáticas e a força dos números dos últimos anos exigem uma mudança urgente de paradigma face à política nacional no combate aos incêndios”.

“Não podemos admitir que haja um dispositivo especial de combate a incêndios rurais para um determinado período do ano, continuando a ignorar a realidade dos incêndios fora desse referido período”, alertou, dirigindo-se às autoridades nacionais de emergência e protecção civil.

Defendeu ainda que as autoridades “não podem continuar a aceitar como normal todas as queimas e queimadas que se fazem ao longo de meses, essencialmente em períodos tão longos de seca como o que o país atravessa”.

“Os prejuízos são avultadíssimos até do ponto de vista ambiental”, avisou, defendendo ser “necessário apostar em métodos alternativos de limpeza florestal e agrícola com métodos combinados de compostagem e projectos activos de sumidouros de carbono”.

“As queimas poluem e a qualidade do ar fica irremediavelmente comprometida, o que causa sérios danos para a saúde pública. Um corte epistemológico com a actual realidade é necessário e indispensável”, frisou Germano Amorim.

Com uma área total de 222 mil hectares, 162 mil hectares área florestal, o distrito de Viana do Castelo é composto por 208 freguesias, 99 das quais (8,9% do total do país) são consideradas prioritárias na prevenção de fogos florestais e onde estão identificados 1.185 lugares prioritários.

O distrito de Viana do Castelo conta com 11 corporações de bombeiros voluntários, sendo que o concelho de Caminha é o único que tem duas destas corporações. Já Viana do Castelo, além de uma corporação de bombeiros voluntários, dispõe de um corpo de bombeiros sapadores.

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