O vereador do movimento independente Renascer Amares, Álvaro Silva, propôs esta quarta-feira que o município encomende uma auditoria financeira externa ao período de 2013 a 2025, anos em que a autarquia foi liderada por Manuel Moreira. A proposta não foi votada, mas pode voltar formalmente a uma das próximas reuniões de executivo.
No período de antes da ordem do dia da reunião desta quarta-feira, a primeira do novo mandato, Álvaro Silva disse que houve “diversas tomadas de decisão administrativas e financeiras” por parte dos executivos anteriores que “suscitaram dúvidas quanto à transparência” e que seria “oportuno promover uma análise rigorosa” à gestão realizada.
Para o vereador independente, todos os eleitos para o novo mandato devem “conhecer com exatidão o ponto de partida e assegurar que a gestão passada garantiu a transparência exigida, a prestação de contas e a boa administração dos recursos públicos”. “A auditoria constitui um instrumento essencial para garantir a transparência na gestão pública”, salientou.
Álvaro Silva propôs ao executivo que seja feita uma auditoria, “a cargo de uma empresa externa de referência”, à gestão e às contas da Câmara de Amares dos últimos 12 anos, que permita analisar, entre outros aspetos, os processos de contratação pública. O vereador do Renascer Amares aludiu, em concreto, a um “elevado número” de ajustes diretos e a “contratações muito pouco claras e transparentes” de recursos humanos.
ALVO DE ANÁLISE
O presidente da Câmara, Emanuel Magalhães (PSD), pediu aos restantes vereadores para se pronunciarem, tendo o primeiro eleito do PS, Pedro Costa, começado por considerar que se trata de uma “proposta razoável” e que partilha algumas das dúvidas colocadas por Álvaro Silva. “Parece-me um procedimento que concorre para a transparência de processos e que será útil a todos, especialmente ao presidente da Câmara”, afirmou.
O outro vereador do PS, Delfim Rodrigues, que integrou o último executivo em permanência, disse “não ver mal nenhum” na auditoria, tal como a vereadora do PSD, Cidália Abreu, que foi o único elemento a fazer parte dos três executivos de Manuel Moreira, primeiro pelo PS e depois pela coligação PSD/CDS. “Estou completamente à vontade”, garantiu Cidália Abreu, sublinhando que a auditoria é um instrumento que poderá ser utilizado para “retirar dúvidas”.
Já João Januário Barros (PSD) afirmou que a proposta de Álvaro Silva é “algo a analisar”. “Nesta reunião deveríamos receber esse pedido e analisá-lo”, defendeu.
ALIMENTAR “TELENOVELAS”
O único que se mostrou frontalmente contra uma eventual auditoria foi o vereador do movimento independente Amar e Servir Amares, Rui Tomada, que disse que o novo executivo deve estar focado em “resolver os problemas graves e urgentes” do concelho. “Penso que devemos pôr um ponto final em tudo o que está para trás e debruçar-nos no futuro, na mudança, em termos melhor qualidade de vida”, apontou.
Rui Tomada disse que uma auditoria “tem um custo bastante elevado” e sublinhou que a decisão, a avançar, servirá apenas “alimentar telenovelas”, tal como aconteceu no passado, quando Manuel Moreira substituiu José Barbosa. “Em 2013, fiquei muito triste com o início do mandato do professor Manuel Moreira. Não sou apologista disso, não foi para isso que quase 1.200 amarenses votaram em mim, foi para apresentar propostas e soluções”, vincou.
Após ouvir todos os vereadores, Emanuel Magalhães comprometeu-se a “analisar” o assunto. “Vamos recolher a sugestão do vereador Álvaro Silva, analisar e, se for o caso, propor uma solução”, concluiu o autarca.












