Os vereadores independentes Álvaro Silva (Renascer Amares) e Rui Tomada (Amar e Servir Amares) protagonizaram esta quinta-feira uma discussão acalorada, durante a reunião de Câmara de Amares, devido à obra de construção de um hostel rural em Paredes Secas.
No período de antes da ordem do dia, Álvaro Silva pediu esclarecimentos sobre aquele projeto, dizendo que “não está em causa a utilidade do investimento, mas a transparência” das contas públicas, já que “não existe informação acessível, quer por parte da União de Freguesias de Vilela, Seramil e Paredes Secas, quer por parte do município de Amares, sobre o seu real ponto de situação”.
“Tendo em conta a ausência de informação pública, procurei consultar diversos canais e documentos oficiais, o que suscita dúvidas legítimas e carece de esclarecimentos”, salientou o vereador do Renascer Amares, para quem esta é uma “questão de responsabilidade, coerência financeira e transparência administrativa” que “os amarenses exigem ver esclarecida”.
Álvaro Silva disse que há registos da transferência de verbas da Câmara de Amares para a União de Freguesias, “mas não há qualquer despesa de investimento da Junta associada a este projeto”, cuja obra está “completamente parada há vários anos”. “Quem é o dono da obra? Quem assume responsabilidades pelo seu estado? Como se justificam as transferências para uma obra parada? Existe data concreta para a conclusão do projeto? Qual o investimento previsto?”, questionou.
Na resposta, o presidente da Câmara de Amares, Emanuel Magalhães (PSD), disse que vai pedir informações quanto ao projeto, uma vez que não integrou os executivos anteriores em permanência. “Daquilo que é responsabilidade do município, procurarei trazer essas informações. Há outras questões às quais não posso responder, porque são competência apenas da Junta”, salientou.
“AJUSTE DE CONTAS”, DIZ RUI TOMADA
A intervenção mereceu uma reação do vereador do Amar e Servir Amares, Rui Tomada, que liderou a Junta da União de Freguesias de Vilela, Seramil e Paredes Secas até às eleições autárquicas de outubro.
“Senhor vereador, não utilize os amarenses para ajustar contas com ninguém. Estou a ser vítima por não pactuar com aquilo que o senhor pretende”, disse Tomada, num tom claramente inflamado, garantindo que “sempre” geriu a Junta de Freguesia “com rigor”.
“Não permitirei que ande na praça pública a criar dúvidas. A minha dignidade e a minha seriedade nunca poderão ser postas em causa”, acrescentou. Rui Tomada garantiu não ter “problema nenhum” com a gestão feita na Junta de Freguesia e disse estar “totalmente à vontade”.
“Quando terminei funções como presidente de Junta, deixei mais de 130 mil euros nas contas da Junta. Essas verbas não estão certamente em minha casa. Isso é algo que digo olhos nos olhos: em minha casa não está um único cêntimo”, concluiu.
A fechar o assunto, Álvaro Silva assegurou “não ter nada particularmente” contra Rui Tomada. “O que aqui está em causa é a falta de transparência”, reiterou.












