OPINIÃO

OPINIÃO -
António Variações

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  • Texto de Hélder Araújo Neto
    Psicólogo Clinico

O caro leitor estranhará o título deste artigo, e com razão, porque sai do âmbito dos textos que aqui publico, conquanto que, continuando a ler, perceberá. O mote para este texto assenta nos quarenta anos do falecimento de António Variações, para mim, o mais ilustre dos amarenses, filho de Deolinda de Jesus. Pretendo, com este texto, prestar-lhe homenagem.

Outra pretensão que acalento é a de explorar as letras das suas canções, interpretando-as – considerando sempre a sua subjetividade -, do meu ponto de vista, ligando-as à saúde mental, tema tão recorrente dos meus artigos. E, para escrever este texto, ouvi, novamente, todas as músicas de Variações, tendo percebido, ou interpretado, que as letras dele, as músicas dele, foram, para ele, uma espécie de catarse, uma expiação dos seus demónios. Variações empreendeu por esta estratégia psicológica, comum à maior parte dos artistas, de viver e curar-se através da arte. Vamos lá, então, explorar.

A primeira música “Muda de Vida” é um convite à reflexão, que invoca o início de um processo terapêutico, e versa assim: «muda de vida, se tu não vives satisfeito/ Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar! / Muda de vida, não deves viver contrafeito/ Muda de vida se há vida em ti a latejar».

As adições, também aparecem em “O corpo é que paga”, quando diz: «quando a cabeça não tem juízo/ E consomes mais do que é preciso/O corpo é que paga».

A procrastinação é observada em “É p’ra amanhã”, assim: «É p’ra amanhã/ Deixa lá não faças hoje/ Porque amanhã tudo se há de arranjar».

A solidão está presente n’ “A canção do engate”, quando: «tu estás livre e eu estou livre/ E há uma noite para passar/ Porque não vamos unidos/ Porque não vamos ficar/ Na aventura dos sentidos/ Tu estás só e eu mais só estou».

A ansiedade é percebida no “Estou além”, porque diz assim: «não consigo dominar/ Este estado de ansiedade/ A pressa de chegar/ P’ra não chegar tarde».

A solidão, novamente, em “Sempre ausente”, por isto: «diz-me que solidão é essa/ Que te põe a falar sozinho/ Diz-me que conversa/ Estás a ter contigo».

Utilizei estes pequenos trechos porque são os que me convêm, sendo, para mim, claro que os temas são muito ricos e passíveis de outras interpretações. Fi-lo, não obstante, para servir este propósito de ligar os temas a construtos psicológicos. Espero conseguir atingir outro dos meus objetivos, que é o de o leitor ouvir novamente o António, homenageando-o também, a ele e à obra legada, e, assim mesmo, convocá-lo para este teste lúdico, tão prático quanto proveitoso.

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