APAV apoiou mais de 13 mil jovens vítimas de violência entre 2022 e 2025

Mais de 13 mil crianças e jovens vítimas de crime e violência foram apoiados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima entre 2022 e 2025, num período marcado por um agravamento significativo de vários tipos de violência, com destaque para o abuso sexual de menores.

De acordo com dados divulgados esta quarta-feira pela associação, foram acompanhadas 13.039 vítimas até aos 17 anos, o que representa um aumento de 52,4% face ao início do período em análise. Em média, a APAV apoiou 272 crianças e jovens por mês, o equivalente a 63 por semana e nove por dia.

No total, foram registados 23.935 crimes e outras formas de violência contra menores ao longo destes quatro anos, evidenciando uma tendência global de crescimento.

Entre as tipologias analisadas, a violência doméstica surge como a mais prevalente, representando 61,7% dos casos, seguida dos crimes sexuais (31,8%) e de outras formas de violência (6,5%).

Particularmente preocupante é a evolução do abuso sexual de crianças, que mais do que duplicou neste período. Os casos passaram de 390 em 2022 para 864 em 2025, traduzindo um aumento de 121,5%, segundo as “Estatísticas APAV”.

Os dados indicam ainda que a maioria das vítimas são raparigas, enquanto os rapazes representam 39,9% dos casos, sendo residual a percentagem de outras identificações de género ou situações sem informação.

No que respeita à idade, a maior incidência verifica-se entre os 11 e os 14 anos (30,9%), seguida das crianças entre os 6 e os 10 anos (26,9%), dos 0 aos 5 anos (20,3%) e dos jovens entre os 15 e os 17 anos (21,9%).

Quanto aos agressores, a maioria são homens (61,9%), sendo que em 39,6% das situações o autor do crime é o pai ou a mãe da vítima, evidenciando a proximidade entre agressor e criança. Em 7,7% dos casos, o agressor é padrasto ou madrasta, e em 3,1% trata-se de colegas da escola ou do trabalho.

Geograficamente, o maior número de ocorrências foi registado no distrito de Faro (24,4%), seguido de Lisboa (14,5%) e Braga (10,2%).

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima disponibiliza apoio jurídico, psicológico e social gratuito e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima (116 006), bem como por via digital e da sua rede de gabinetes em todo o país. No âmbito específico do abuso sexual de menores, a associação conta ainda com o programa especializado APAV CARE, que assegura acompanhamento integrado às vítimas.

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