Arte Total estreia “Clementina” no Theatro Circo

No próximo dia 17 de julho de 2025, às 21h30, o Theatro Circo em Braga será palco da estreia de “Clementina | Could Be So Pretty”, um espetáculo coreográfico da Arte Total. Inspirado numa história real bracarense e na Roda dos Expostos, a criação, sob direção de Gabriela Barros, constrói uma genealogia do feminino.

«Esta Clementina nasce de uma história verdadeira da minha família, mas podia ser a de qualquer outra. São cinco gerações de mulheres com fardos às costas e sacos nas mãos, literal e simbolicamente», partilha Gabriela Barros, coreógrafa e intérprete. «Rosa, Maria dos Prazeres, todas elas lutaram e sofreram antes de nós para que hoje possamos estar aqui».

A obra tem como ponto de partida a história de Maria Rosa, uma mulher sem registos claros, provavelmente uma “enjeitada” da Roda dos Expostos de Braga. «Quando descobri que ninguém sabia quem eram os pais da minha bisavó, percebi que havia ali uma história para contar, não só a dela, mas a de muitas», revela Gabriela Barros. «E essa história continua hoje, nas mulheres que conheço e em mim própria».

Rosa simboliza todas as mulheres «cujas vidas foram ignoradas, institucionalizadas, silenciadas, e cujas histórias permanecem à margem dos discursos oficiais», continua.

A escolha do Theatro Circo para a estreia não é aleatória. O edifício centenário inspirou a própria estrutura do espetáculo.

«O subtítulo “Could Be So Pretty” alude a uma das pressões mais persistentes sobre o corpo feminino: a exigência estética constante e, muitas vezes, violenta», avança a autora.

«Vivemos numa era de filtros e perfeição performativa. Esta Clementina fala de mulheres que, mesmo com direitos adquiridos, ainda vivem numa luta constante para corresponder à imagem do que devem ser. Bonitas. Boas mães. Boas profissionais. Incansáveis. Sempre disponíveis», afirma Carolina Vieira, bailarina e criadora associada.

O processo de criação de “Clementina” é assente num diálogo entre gerações, com Cristina Mendanha, Carolina Vieira e Gabriela Barros a formarem o núcleo. «É dessa diferença que nasce a profundidade. Crescemos muito umas com as outras. Artisticamente e como mulheres», partilha Cristina Mendanha, diretora artística da Arte Total.

O elenco intergeracional composto por Gabriela Barros, Lea Siebrecht, Carolina Vieira, Irene Almeida, Margarida Guimarães e Liliana Oliveira partilha em palco a técnica.

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