Burlas e violência sexual lideram crimes online em 2025

A Linha Internet Segura (LIS) recebeu, ao longo de 2025, um total de 949 novos processos relacionados com cibercrime e outras formas de violência online, o que representa um aumento homólogo de 39%, face aos 681 casos registados em 2024. Os dados foram avançados à agência Lusa por Carolina Soares, gestora da LIS, no âmbito do Dia da Internet Mais Segura.

De acordo com a responsável, as burlas continuam a ser o crime mais frequente, com 358 situações reportadas, mais 44% do que no ano anterior. Segue-se a extorsão, com 167 ocorrências, correspondendo a um aumento de 90%.
“Dentro da burla temos vários tipos de métodos”, explicou Carolina Soares, sublinhando a diversidade de esquemas utilizados, desde o comércio online às fraudes associadas a investimentos e criptomoedas.

A par das burlas, destaca-se o crescimento das situações de violência sexual baseada em imagens, incluindo extorsão sexual e partilha não consentida de imagens íntimas, muitas das quais manipuladas através de tecnologias de inteligência artificial, como os chamados deepfakes. A extorsão sexual registou 159 casos e a partilha ou gravação não consentida de imagens íntimas totalizou 77.

Em 2025, verificou-se igualmente um aumento significativo das denúncias de conteúdos ilegais online, que atingiram 1.747 participações, mais 70% do que em 2024. Mais de mil dessas denúncias dizem respeito a conteúdos de abuso sexual de menores.
“Há mais pessoas a denunciarem aquilo que lhes parece ser, e muitas vezes é, conteúdo sexual de menores online, bem como situações de discurso de ódio”, salientou a gestora da LIS.

Entre os crimes mais reportados surgem ainda o acesso ilegítimo a contas ou sistemas (78 casos) e os crimes sexuais contra crianças (75). Os dados revelam um aumento de 92% das situações de crimes sexuais contra menores face a 2024.

No que respeita ao perfil das vítimas, 53,1% dos casos dizem respeito a mulheres e raparigas. A faixa etária mais representada é a dos 18 aos 64 anos (82,1%), embora se tenha registado um aumento expressivo de contactos de crianças e jovens até aos 17 anos, sobretudo relacionados com extorsão sexual, aliciamento para fins sexuais e pornografia de menores.

Segundo Carolina Soares, muitos dos crimes têm origem nas redes sociais, como Facebook, Instagram, Snapchat ou X (antigo Twitter), sendo posteriormente transferidos para plataformas encriptadas, como o WhatsApp.

A Linha Internet Segura integra o Centro Internet Segura, coordenado pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), e funciona em duas vertentes: a Helpline, que presta apoio confidencial a vítimas, e a Hotline, destinada à denúncia de conteúdos ilegais online, como abuso sexual de menores, discurso de ódio, racismo, xenofobia e terrorismo.

Nos casos de conteúdos ilegais, a APAV articula com a Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime, procedendo à sinalização dos conteúdos e à sua remoção quando alojados em servidores nacionais, num prazo máximo de 72 horas.

O Centro Internet Segura resulta de um consórcio coordenado pelo Centro Nacional de Cibersegurança, que integra a Direção-Geral da Educação, o Instituto Português do Desporto e Juventude, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a APAV e a Microsoft Portugal.

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