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Catarina Martins reafirma em Braga que Bloco “não poderia votar a favor” de um OE “sem novidade”

Catarina Martins afirmou, este domingo, em Braga, que o Bloco de Esquerda (BE), “não poderia votar a favor” Orçamento do Estado (OE) para 2020 apresentado pelo governo “sem negociação prévia”.

Falando em Braga numa sessão pública para apresentação e discussão das propostas do partido no âmbito do OE, a coordenadora nacional bloquista referiu que no documento “não há nenhuma novidade e limita-se a cumprir o que foi decidido nos anos anteriores, sem dar resposta a questões essenciais para o país, como investimento público e o respeito por quem trabalhou e por quem trabalha por turnos”.

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“Aumentos de 0,3% de salários e pensões, abaixo da inflação prevista, é falhar ao país, porque não está a recuperar poder de compra dos pensionistas e funcionários públicos e está a dar um péssimo exemplo ao sector privado”, critica.

A líder bloquista assegura que “o Bloco de Esquerda não vira as costas à negociação” e que, tendo definido prioridades, “chegamos a um acordo que permite conversar e aproximar-nos em algumas matérias”, justificando, por isso, a viabilização do documento, através da abstenção na votação da passada sexta-feira na Assembleia da República, pelo caminho negocial aberto em áreas como a saúde, pensões e ensino superior.

“Além dos 800 milhões de euros, que permite acabar com a sub-orçamentação crónica do sector da saúde, garantimos mais 150 milhões de euros em investimento, a contratação de mais 8400 profissionais, a concretização do programa nacional de saúde mental, o fim das taxas moderadoras nos cuidados de saúde primários e nos meios complementares de diagnóstico e o início do caminho para a exclusividade, caso começando pelos dirigentes”, refere a deputada.

“Conseguimos ainda a redução de 20% nas propinas, medida importante para garantir a universalidade do ensino superior e aumentar a qualificação do país; a alteração das prestações sociais, acabando com o englobamento dos rendimentos doa filhos no acesso ao Complemento Solidário para Idosos; o aumento das pensões mais baixas”, acrescenta.

Sobre a necessidade de reforço do investimento público, Catarina Martins afirma que “é com investimento que o país fica mais forte e responde aos problemas urgentes do país, como o combate às alterações climáticas e a resposta à crise na habitação”.

“O Bloco está com a autonomia que sempre teve e com a determinação que temos de ter porque há um país que exige respostas”, conclui.

O deputado eleito pelo círculo eleitoral de Braga, José Maria Cardoso, informou sobre as propostas que o Bloco se baterá para incluir neste Orçamento directamente relacionadas com o distrito, nomeadamente “a exigência do novo Hospital de Barcelos, as obras na barra de Esposende, a despoluição das bacias hidrográficas do Ave e do Cávado, a elaboração de um plano de emergência para o sector têxtil, a continuidade dos projectos de conservação natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês”.