A passagem da depressão Leonardo deverá provocar precipitação intensa e contínua durante os próximos cinco dias, com maior impacto previsto para a próxima noite e manhã de quinta-feira no Norte do país. A Proteção Civil mantém o estado de prontidão máxima.
Os efeitos da depressão Leonardo já se fazem sentir no sul do país, mas o período mais crítico deverá atingir as regiões do Norte durante a próxima noite e a manhã de quinta-feira, segundo as previsões meteorológicas. Está prevista chuva forte e persistente ao longo de cinco dias consecutivos, aumentando o risco de cheias e deslizamentos de terras.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) encontra-se em estado de prontidão máxima, mantendo meios pré-posicionados nas bacias hidrográficas consideradas mais vulneráveis, nomeadamente nos rios Douro, Vouga, Tejo e Sorraia.
No continente, esta quarta-feira estão quatro distritos sob aviso laranja devido à agitação marítima: Beja, Lisboa, Setúbal e Faro. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), as ondas poderão atingir os 12 metros, devendo os avisos descer a amarelo entre as 15:00 e as 18:00.
O IPMA colocou ainda sob aviso amarelo por precipitação os distritos de Beja, Évora, Faro, Lisboa, Portalegre, Santarém e Setúbal, estando previsto que, a meio da tarde, mais sete distritos passem a integrar esta lista. Encontra-se igualmente ativo um aviso amarelo para vento, com rajadas que poderão atingir os 90 quilómetros por hora.
Nos Açores, o grupo ocidental está sob aviso vermelho a partir das 12:00, também devido à agitação marítima.
A Proteção Civil registou, na terça-feira, 833 ocorrências relacionadas com o mau tempo, sobretudo quedas de árvores e estruturas, inundações, limpeza de vias e movimentos de vertente. As regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo foram as mais afetadas.
Desde 27 de janeiro, foram contabilizadas mais de 14 mil ocorrências em todo o país, sendo os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém os que apresentam maior número de estragos.
A situação mantém-se crítica em várias vias rodoviárias. Em Alcácer do Sal, a Avenida Marginal esteve encerrada durante a noite, tendo a autarquia assegurado transporte gratuito entre Santa Catarina e Alcácer. No Ribatejo, registam-se vários condicionamentos: a Estrada do Paul, que liga Marinhais a Foros de Salvaterra, encontra-se submersa, tal como a Estrada dos Lázaros, no concelho da Golegã, e a Estrada Nacional 365, entre Pombalinho e Vale de Figueira. A localidade de Reguengo do Alviela permanece isolada.
No setor ferroviário, a CP informou que já foi retomada a circulação dos comboios urbanos de Coimbra, mantendo-se, no entanto, suspensa a circulação na Linha do Douro, entre Régua e Pocinho, e na Linha do Oeste.
Uma semana após o início do mau tempo, permanecem cerca de 116 mil clientes da E-Redes sem fornecimento de energia elétrica. O distrito de Leiria continua a ser o mais afetado, com 83 mil habitações sem eletricidade, seguindo-se Santarém, com 19 mil, e Castelo Branco, com oito mil. Em Coimbra, cerca de mil clientes permanecem nesta situação.
O Presidente da República apelou à população para que adote comportamentos preventivos. Na terça-feira, após uma visita ao comando da Proteção Civil em Ourém, afirmou que a prioridade passa pela reparação das habitações danificadas e pelo restabelecimento do fornecimento de energia elétrica.
Também o primeiro-ministro alertou para o agravamento das condições meteorológicas nos próximos dias, sublinhando que o risco de cheias é real. Na terça-feira, reuniu-se com o Presidente da República e está prevista nova reunião na quinta-feira para acompanhamento da situação.
O presidente da Confederação Empresarial de Portugal defendeu que as medidas de apoio anunciadas pelo Governo devem ser aplicadas com rapidez. Em declarações à RTP, Armindo Monteiro apelou à agilização dos processos para permitir a recuperação das empresas afetadas pelo temporal.












