JUSTIÇA - Despedimento de dois ex-diretores do SCBraga começam a ser julgados em Tribunal

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Despedimento de dois ex-diretores do SCBraga começam a ser julgados em Tribunal

Despedimento de dois ex-directores do Sporting de Braga em julgamento. Na próxima semana recomeça o julgamento do despedimento do ex-director do bingo. No primeiro julgamento, o Sporting de Braga foi condenado a pagar a Sebastião Campos uma verba que pode ir dos 574 mil aos 800 mil euros,  entre indemnização e salários. E, no dia 1 de Outubro começa no Tribunal de Trabalho de Matosinhos o julgamento de outro despedimento, o do ex-director-geral, João Gomes, que pede 350 mil. Ao todo, estão em causa, pelo menos um milhão de euros.

No caso do bingo, o clube apelou para o Supremo Tribunal de Justiça, argumentando que há “factos novos”, no caso provas de que o ex-director não recebia um ordenado de  6.069 euros quando o clube fechou o bingo em 2008, por acumulação de prejuízos.

A peritagem informática pedida pelo Supremo Tribunal de Justiça às contas do antigo bingo do Sporting Clube de Braga ficou agora pronta.

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Facto que permite ao Tribunal de Trabalho marcar a audiência de julgamento. A mesma fonte adiantou que o relatório dos peritos não foi conclusivo, pelo que cabe às partes defender as respectivas posições, ficando a decisão para o juiz titular do processo, A peritagem ocorre no âmbito do processo em que o clube foi condenado a pagar uma verba que pode ir dos 574 mil aos 800 mil euros, ao antigo gestor do Bingo, Sebastião Carvalho Campos.

PERÍCIA A COMPUTADORES

A perícia envolveu os computadores do antigo Bingo – então situado no edifício do centro comercial Gold Center – e os recibos que foram passados ao então gestor. A Comissão de peritos, que começou a funcionar em finais de 2017, tem três membros, um nomeado pelo Tribunal, e os outros pelas duas partes.

Os peritos devem intervir no julgamento, para explicar as diligências feitas. O despacho do Supremo Tribunal, que fez regressar o processo ao Tribunal de Trabalho, prende-se com o recurso de revisão – interposto pelo clube – para revogação da sentença do Tribunal da Relação de Guimarães, que o obriga a pagar aquela verba ao ex-gestor.

Antes, o SC Braga havia prestado uma caução em Tribunal para evitar que a Taça de Portugal, conquistada em 1966 e que se encontra penhorada à ordem do processo desde 2015, fosse levada por Sebastião Carvalho Campos e posta à venda.

O recurso tem como fundamento o de que a sentença foi proferida com base em documento falso, “o qual determinou os montantes elevados dela constantes”, disse o clube aquando do pedido de revisão da sentença.

O SCBraga não aceita pagar voluntariamente a dívida, e diz que soube que o ex-gerente do Bingo tinha saído de outras empresas, onde trabalhava ao mesmo tempo que era director da sala de Bingo, e onde também era contabilista.

Ordenou, por isso, que fosse feita uma auditoria à contabilidade do Bingo, tendo verificado que o salário real do trabalhador era de apenas 1.500 euros e que o recibo de vencimento que este apresentou ao tribunal era falsificado, tanto que nem constava do programa de contabilidade onde eram processados os salários. O advogado de Sebastião Campos, Nuno Albuquerque, escusou-se a comentar.

JOÃO GOMES

Ao fim de 10 anos, o ex-director e homem de confiança do presidente do Sp. Braga, António Salvador, foi despedido por “justa causa”, após processo disciplinar. Em causa está uma alegada proposta para sair do Braga mediante pagamento de “250 mil euros”, cedência de um “Mercedes” e hipótese de receber subsídio de desemprego, sob pena de ser feita denúncia de múltiplas facturas falsas de mais de dois milhões de euros, para desviar dinheiro do Sp. Braga.

João Gomes acabou despedido com fundamento nesta alegada chantagem a Salvador, bem como no facto de ter pedido, em nome da SAD, à operadora NOS para mudar a titularidade do seu número de telemóvel e ainda por ter ordenado adiar o desconto no seu ordenado referente ao Mercedes que lhe fora atribuído pela SAD. Negando a autoria do documento da suposta chantagem, o ex-director-geral impugnou o seu despedimento, num processo que começa a ser julgado no dia 1, em Matosinhos.