SAÚDE -
Dimensões da dor crónica debatidas num seminário do ISAVE

A licenciatura de Enfermagem do Instituto Superior de Saúde (ISAVE) promoveu, através de vídeo-conferência, um seminário sobre “Dor — experiência multidimensional”, que foi conduzido por Alexandra Ferreira Valente, doutorada em Psicologia.

Este seminário — conduzido por esta docente do ISPA e Investigadora no William James Center for Research — deu corpo à unidade curricular de Terapias não Farmacológicas daquele curso, centrado num dos seus estudos sobre as condições múltiplas de dor musculoesquelética crónica, as quais variam de acordo com a intensidade da dor, as funções física e psicológica afectadas e respostas para lidar com a dor.

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No estudo coordenado por Alexandra Ferreira Valente, as respostas para lidar com a dor podem não estar associadas ao diagnóstico da dor, porque as respostas psicológicas e sociais — para além dos medicamentos — têm implicações/efeitos positivos.

Num dos seus estudos, esta investigadora constata que «a cultura  pode ter um papel  relevante  na  determinação  da  forma  como  as  pessoas  com  dor  lidam  com  ela».

Alexandra Ferreira Valente sustentou que a dor crónica é um problema de saúde com elevado impacto pessoal, económico e social, influenciado por factores biológicos, psicológicos e sociais. Nesse sentido, espera-se que a mesma pessoa lide com a dor de forma diferente em diferentes circunstâncias, e pessoas de diferentes culturas lidem com a dor de forma distinta.

Numa amostra constituída por 21 (12 portugueses e 9 norte americanos) adultos com dor há mais de 12 meses, os resultados sugerem que a cultura pode influenciar a forma como as pessoas lidam com a dor.

As diferenças encontradas podem resultar de factores culturais e diferenças entre os sistemas de saúde de ambos os países, de outras diferenças legais e de diferenças no acesso e uso de novas tecnologias da informação e meios de comunicação.

Este pode ser o caso, por  exemplo,  quanto  ao  uso,  por  participantes  norte-americanos  mas  não  portugueses,  de substâncias psicoactivas, das medicinas complementares alternativas, do yoga e da meditação.