OPINIÃO - Febre em Idade Pediátrica

OPINIÃO -
Febre em Idade Pediátrica

Opinião de Manuela Araújo, Médica no ACeS Cávado II – Gerês/Cabreira, USF Pró-Saúde 

A febre é um dos sinais de doença mais comuns na criança/adolescente, sendo motivo frequente de procura de cuidados de saúde em idade pediátrica.

A maioria dos episódios febris agudos devem-se a infeções benignas, víricas ou bacterianas, que apresentam um curso autolimitado, não requerendo um tratamento específico.

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A PARTIR DE QUE VALORES SE CONSIDERA FEBRE?

Ocorre febre quando existe uma elevação da temperatura corporal ≥ 1ºC acima da média diária individual, conforme o local de medição. Quando se desconhece a temperatura média diária individual, é aceitável considerar-se como febre qualquer dos seguintes valores da temperatura:

  1. a) Retal ≥ 38ºC (medição de referência da temperatura corporal);
  2. b) Axilar ≥ 37,6ºC;
  3. c) Timpânica ≥ 37,8ºC;
  4. d) Oral ≥ 37,6ºC.

De notar, que ao longo do dia a temperatura varia entre os 36 e os 37ºC pela manhã e pode chegar aos 38ºC ao fim da tarde (temperatura retal). Abaixo dos 4 anos é recomendado medir a temperatura retal.

O QUE FAZER QUANDO SURGE FEBRE NA CRIANÇA?

  • Vigiar o aparecimento de sinais de alerta;
  • Despir ou diminuir a quantidade de roupa;
  • Arrefecimento com recurso a banho (a uma temperatura de 37ºC por um período máximo de 10 minutos);
  • Oferecer líquidos com regularidade;
  • Com temperatura superior a 38ºC axilar e desconforto associado, administrar um antipirético, utilizando de preferência só um medicamento – idealmente o paracetamol;
  • Se a criança tem menos de 3 meses, procurar assistência médica imediata;
  • Nas crianças mais velhas, se não aparecerem outras queixas, pode-se aguardar 3 a 5 dias antes da avaliação médica.

QUANDO LEVAR UMA CRIANÇA COM FEBRE AO MÉDICO?

Mais do que o valor da temperatura, é o aspeto e comportamento da criança que mais importa. De salientar (sinais de alerta):

  • Prostração (criança “murcha), gemido;
  • Dificuldade respiratória;
  • Vómitos e dores de cabeça intensas, que se mantêm ou que se agravam;
  • Lesões cutâneas (pintinhas), que não desaparecem com a pressão local;
  • Convulsões, alteração do estado de consciência ou do comportamento (irritabilidade, agitação, sonolência);
  • Extremidades do corpo sempre frias ou cianosadas (arroxeadas);
  • Temperatura retal de 40ºC ou superior (ou axilar de 39.4º ou superior);
  • Febres recorrentes (mesmo que durem poucas horas);
  • Febre e um problema clínico crónico (como doenças do coração);