BRAGA -
Funcionárias denunciam alegada falta de informação sobre mortes e utentes infectadas na Casa de Saúde Bom Jesus de Braga

Uma funcionária da Casa de Saúde Bom Jesus, em Braga, afirma que a direcção da instituição está a “esconder” o número de utentes infectadas ou com suspeitas de infecção por covid-19, bem como as mortes provocadas pelo novo coronavírus. A direcção responde que todos os dados são enviados para a autoridade local de saúde. Não é a primeira vez que a esta IPSS é acusada de não divulgar casos de covid-19.

Devidamente identificada, mas sob anonimato com receio de represálias, a funcionária, que fala também em nome de outras profissionais de saúde, assegura ao PressMinho que a Casa de Saúde do Bom Jesus, uma IPSS gerida pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, está a “tentar controlar” a informação sobre a situação epidemiológica na instituição, fundada em 1932, em Nogueiró.

Segunda a funcionária, registaram-se recentemente na Unidade da Nossa Senhora de Fátima duas mortes, a última na passada sexta-feira, uma “septuagenária de nome Luzia”, e “mais quatro casos” de suspeita de infecção de SARS- CoV-2.

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“Nós, as funcionárias, não sabíamos, nem fomos informadas dos resultados dos testes, e continuamos a prestar serviço a estas doentes”, diz, acrescentando que só na tarde de sexta-feira “nos foi dito que uma doente tinha falecido”.

“É inadmissível nos terem mentido desde terça feira sobre o estado da doente. Apenas pediram para a isolar, por precaução, porque tinha alguma febre”, conta, garantindo que a direcção da Casa de Saúde “sabia que era covid”.

“Não nos informaram para termos mais precaução e usar o material adequado. Tendo em conta o período de incubação é possível que estivesse contaminada há alguns dias e nem sabemos se estava a sofrer, ou a ter os cuidados necessários. Isto é desumano”, declara, salientando que denuncia o caso “a pensar no “interesse, bem-estar das utentes e da segurança de que lhes presta assistência”.

Afirmando que a doente “não saía da unidade há meses”, crê que o contágio por ter tido origem em alguma outra funcionária.

Acredita mesmo que, num universo de cerca de 30 idosas com doenças do foro psiquiátrico, “há certamente mais casos”. E recorda que “na primeira vaga tivemos cerca de 80 utentes infectadas”, sublinhando que “nessa altura também não nos disseram mais nada”,

“Aliás, soubemos do número pelos meios de comunicação. Muitas colegas infectadas continuaram a trabalhar, mesmo com covid-19”.

Afirma ainda que, apesar da instituição ter de EPI’S – Equipamentos de Protecção Individual, as profissionais não têm formação para os “usar convenientemente e em segurança”.

“Depois destes óbitos começamos a usar os fatos, mas muitas colegas são novas e não sabem usa-los, o que é normal. Foi dito há um mês que haveria formação, mas até agora, nada”, garante.

DIRECÇÃO GARANTE ENVIO DE INFORMAÇÃO À DGS

Contactada pelo PressMinho, a direcção da Casa de Saúde, não avança qualquer número sobre de óbitos covid-19 recentes, infecções ou suspeitas de infecção, limitando-se a dizer, via e-mail, que “desde o início de Março que foram definidos os canais de informação entre todos os serviços, que têm sido usados para partilha de informação sobre a situação Covid, e as medidas que são tomadas pelo Gabinete de Superação”. Os dados epidemiológicos “são remetidos diariamente, à tutela”, afirma.

A instituição acrescenta que “tem actualizado e implementado, um rigoroso Plano de Contingência, desde o início do mês de Março, revisto no final do Verão-antevendo a chegada de uma 2.ª Vaga, cumprindo as normas da Direcção Geral de Saúde”.

“Este plano contempla acções de formação e de sensibilização, para as precauções básicas de controlo de infecção, entre as quais se encontra a utilização correcta de EPI´s, que se realizaram periodicamente, com vista à protecção das doentes internadas e seus cuidadores”, refere.

QUEIXA EM ABRIL

Esta não é, contudo, a primeira queixa dirigida à instituição. Já em Abril, ao PressMinho/O Vilaverdense/O Amarense a familiar de uma doente acusava a Casa de Saúde de não prestar informações sobre o seu estado de saúde, numa altura em que já existia um óbito, enfermeiras e auxiliares contaminadas.

Contactado então pelo PressMinho/O Vilaverdense/O Amarense, o director da Casa de Saúde, Pedro Meneses, explicou que Comissão de Controlo de Infecção, da qual fazem parte profissionais de saúde, médicos e enfermeiros especialistas, implementou um Plano de Contingência, no qual foram identificadas medidas de prevenção e de contenção para fazer face à pandemia da covid 19, protegendo assim os 380 doentes internados e os 300 profissionais de saúde.