OPINIÃO - Não dá para vacilar, deve vacinar!

OPINIÃO -
Não dá para vacilar, deve vacinar!

Por José Marafona
Médico da Unidade de Saúde Pública ACeS Cávado II – Gerês/ Cabreira 

A vacinação é uma estratégia inteligente que aproveita as capacidades do nosso organismo, que é ativado durante uma infeção causada por um agente patogénico, como por exemplo um vírus ou uma bactéria. O sistema imunitário produz anticorpos específicos sempre que entra em contacto com um microorganismo patogénico, mas não há desenvolvimento de doença, portanto as vacinas ajudam-nos a aumentar as nossas possibilidades de impedir com êxito o aparecimento de determinada doença. O nosso organismo é estimulado e ao mesmo tempo, diminui a frequência e gravidade das consequências e complicações que se associam a uma infeção, portanto que quem está vacinado tem maior capacidade de resistência na eventualidade da doença surgir. A vacinação, além da proteção pessoal, traz também benefícios para toda a comunidade, pois quando a maior parte da população está vacinada interrompe-se a transmissão da doença. Não basta vacinar-se uma vez para ficar devidamente protegido, é necessário receber várias doses da mesma vacina para que esta seja eficaz, sendo por vezes necessário fazer doses de reforço, nalguns casos ao longo de toda a vida e de acordo com um programa de vacinação.

O Programa Nacional de Vacinação é um programa universal, gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal, sendo gerido, a nível Nacional, pela Direcção Geral de Saúde (Ministério da Saúde) e integra as vacinas consideradas mais importantes para defender a saúde da população portuguesa. O objectivo do PNV é reduzir o número de casos de doença, a circulação do agente, o risco de infeção, número de indivíduos suscetíveis e vacinar um elevado número da população de forma a atingir a imunidade de grupo, sendo este o efeito indireto de proteção causada pela vacinação. O programa tem sido atualizado regularmente e desde 2017, inclui recomendações para o conjunto de 12 vacinas estrategicamente distribuídas de forma a maximizar a proteção conferida na idade mais adequada e o mais precocemente possível – tuberculose; hepatite B; difteria; tétano; tosse convulsa; poliomielite; doença invasiva por Haemophilus influenza do serotipo B; sarampo; rubéola; parotidite epidémica; doença invasiva por Neisseria meningitidis do serogrupo C; vírus do papiloma humano (HPV).

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As elevadas coberturas vacinais obtidas resultam do empenho mantido dos profissionais envolvidos e da confiança da população no PNV. O atual desafio centra-se em manter ou elevar as taxas de cobertura vacinal na infância superiores a 95%, sendo uma realidade Nacional, Regional e do ACeS Cávado II – Gerês/Cabreira. A cobertura vacinal elevada de muitas vacinas permite um benefício extra ao induzir imunidade de grupo, protegendo não só os indivíduos vacinados, mas também a comunidade que beneficia com a interrupção da circulação do agente infecioso. Somente taxas de cobertura vacinal muito elevadas permitem obter imunidade de grupo por redução da circulação do agente e da transmissão da infeção.

Pode vacinar-se no centro de saúde, da sua área de residência e levar consigo o Boletim de Vacinas. A melhor forma de ficar protegido contra determinadas doenças é cumprir o calendário de vacinação recomendado pelo PNV. As crianças são as principais destinatárias, mas também abrange os adultos. As crianças devem ser vacinadas assim que nascem e pouco depois dos 6 meses de idade já estarão protegidas contra sete doenças de infância e aos 15 meses contra dez doenças. Se a criança não iniciou a vacinação durante o primeiro ano de vida, dirija-se o mais cedo possível a um centro de saúde. Nunca é tarde demais para se vacinar a si e aos seus filhos e existem esquemas vacinais recomendados para estes casos.

Em síntese, as vacinas para integrar o PNV são selecionadas com base na epidemiologia das doenças, na evidência científica do seu impacto, na sua relação custo-efetividade e na sua disponibilidade no mercado. A vacinação deve ser entendida como um direito e um dever dos cidadãos, participando ativamente na decisão de se vacinarem com a consciência que estão a defender a sua saúde, a saúde pública e a praticar um ato de cidadania.