Reforço de meios do INEM anunciado por Montenegro previsto desde o Governo do PS

O secretário-geral do Partido Socialista desafiou esta sexta-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a esclarecer se tinha conhecimento de que o concurso para a aquisição de novas ambulâncias do INEM foi decidido por um governo do PS há pouco mais de dois anos ou se, pelo contrário, “faltou à verdade” ao parlamento, situação que, defende, exigiria um pedido de desculpas.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, José Luís Carneiro afirmou que o primeiro-ministro “deve uma resposta ao país”, sublinhando a gravidade de uma eventual omissão de informação ao parlamento. “Ou foi enganado por parte dos serviços, e nesse caso deve explicar o que vai fazer para assumir responsabilidades, ou tinha conhecimento e decidiu omitir esta informação. Se o fez, faltou à verdade ao parlamento e isso é muito grave”, afirmou.

O líder socialista foi mais longe, defendendo que mentir ao parlamento “nos Estados Unidos da América dava um ‘impeachment’ ao Presidente” e que tal comportamento é “inaceitável numa democracia qualificada”.

Em causa está o anúncio feito pelo primeiro-ministro no debate quinzenal de quinta-feira, no qual revelou que o Governo PSD/CDS-PP aprovou a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, num investimento de 16,8 milhões de euros, classificando-o como “o maior investimento do género na última década”.

Segundo José Luís Carneiro, Luís Montenegro “esqueceu-se de dizer ou omitiu” que o concurso resulta de uma resolução do Conselho de Ministros de 29 de novembro de 2023, aprovada por um governo socialista. O plano inicial previa a aquisição de 312 viaturas, num investimento de cerca de 19 milhões de euros, para o período entre 2023 e 2026.

O atual Governo procedeu posteriormente a uma reprogramação da medida, em agosto de 2024, passando o período de execução para 2025-2027. Para o líder do PS, impõe-se agora uma explicação sobre os motivos que levaram a que o concurso só seja anunciado “ao fim de tanto tempo”, questionando a gestão do processo por parte do executivo em funções.

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