O olhar dos candidatos para a Cultura em Amares: plano estratégico, financiamento e articulação

A necessidade de um plano estratégico, de maior financiamento e de articulação entre as várias entidades, num processo que deve ser comandado pelo município, foram algumas das ideias-chave que saíram de um debate, realizado esta sexta-feira à noite, com os quatro candidatos já conhecidos à Câmara de Amares: Álvaro Silva, Emanuel Magalhães, Pedro Costa e Rui Tomada.

Promovido pelo Encontrarte, festival artístico que decorre até ao final do dia deste sábado em diversos espaços, a iniciativa decorreu ao ar livre, no Largo D. Gualdim Pais, no centro de Amares, com a presença de bastante público, sob o mote “Qual o papel da Cultura na transformação do nosso município?”.

A primeira intervenção coube ao independente Rui Tomada (Amar e Servir Amares), que defendeu que o apoio atribuído atualmente pela Câmara Municipal à Cultura “não é suficiente” e que o “tecido associativo tem de ser reorganizado”, o que permitirá, segundo considerou, que a distribuição de verbas seja “mais ajustada” e “de acordo com aquilo que as instituições fazem”.

Rui Tomada garantiu querer avançar com uma “comissão municipal para a cultura” e manifestou o desejo de ver o Mosteiro de Rendufe transformado numa escola de música, apontando ao envolvimento com os municípios vizinhos de Vila Verde e de Terras de Bouro nesse projeto. Em termos de financiamento, destacou as oportunidades que advêm dos fundos comunitários.

A importância destes fundos europeus foi também enfatizada por Álvaro Silva, que encabeça a candidatura independente Renascer Amares, que disse que “tem de haver investimento, não só financeiro, mas também nas pessoas e nas instituições”, e criticou a “falta de articulação imensa” que considera existir atualmente. Para o candidato, “está tudo por fazer” nesta área.

“Temos de fazer investimento, nomeadamente nas escolas. Só assim vamos despertar o interesse pela Cultura”, apontou, defendendo que é preciso “olhar a Cultura de baixo para cima” e “traçar um plano e uma estratégia a médio/longo prazo” que envolva as associações, escolas e outras associações de forma articulada. “Não é carregar num botão à sexta-feira que vamos ter Cultura à segunda”, vincou.

A necessidade de um “plano estratégico” foi uma expressão repetida várias vezes pelo candidato do PS, Pedro Costa. O socialista lembrou que a falta de investimento na área cultural é um “problema transversal do país e Amares não foge à regra”, disse que “a solução não é atirar um saco de dinheiro para o pelouro” e defendeu que o município tem de ser capaz de fazer um “plano estratégico” a médio prazo, “com orçamento dedicado”, para poder “organizar a casa”.

“Isso faz-se auscultando quem está no terreno, as pessoas que sabem desta área, desde a criação artística até às práticas tradicionais, como o folclore. Se eu for presidente da Câmara, vou sentar-me à mesa com essas pessoas e construir uma política cultural a 10 anos que produza resultados”, garantiu.

No caso do financiamento, o candidato do PSD, Emanuel Magalhães, lembrou que os dinheiros públicos “têm de ser bem aplicados”, cabendo à Câmara pedir “responsabilidade” às entidades que subsidia, fazendo com que tenham de apresentar trabalho. Magalhães apontou também à urgência de “educar as pessoas para a Cultura” e lamentou a falta de adesão a várias iniciativas culturais que acontecem atualmente.

“Fico triste quando falamos sobre Cultura e vemos uma apresentação de um livro sobre Sá de Miranda com 10 pessoas a assistir. Alguma coisa falhou aqui”, lamentou. O candidato do PSD salientou que Amares tem um “património riquíssimo” e garantiu que uma das suas prioridades, se for eleito, será “tornar acessível” o uso deste mesmo património. “Tendo os espaços fechados não se produz cultura”, afirmou.

Carregar mais

ÚLTIMAS NOTÍCIAS