Portugal regista aumento de infeções respiratórias graves e excesso de mortalidade no Norte

Portugal está a enfrentar uma subida significativa das infeções respiratórias graves, sobretudo entre a população mais idosa, ao mesmo tempo que se verifica um excesso de mortalidade na região Norte, entre os 75 e os 84 anos. As conclusões são do mais recente Boletim de Vigilância Epidemiológica da Gripe e Outros Vírus Respiratórios, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), relativo à semana de 1 a 7 de dezembro.

Durante este período, o país registou uma atividade gripal epidémica em crescimento, com 97 casos de infeção respiratória aguda grave (SARI) admitidos nas Unidades Locais de Saúde participantes na vigilância. A taxa de incidência subiu para 12,5 casos por 100 mil habitantes, sendo mais elevada no grupo etário com 65 ou mais anos.

Gripe tipo A domina os casos detetados

A Rede Portuguesa de Laboratórios identificou 1.164 casos positivos de gripe, quase todos do tipo A. Nas Unidades de Cuidados Intensivos foram reportados quatro casos de gripe — menos seis do que na semana anterior — todos associados ao vírus da gripe A não subtipado. Entre os internados, três doentes tinham doenças crónicas com recomendação para vacinação, mas apenas um se encontrava vacinado.

Foram ainda registados 328 casos de outros agentes respiratórios, destacando-se Rinovirus/Enterovirus e o vírus sincicial respiratório (RSV).

Excesso de mortalidade no Norte

Apesar de a mortalidade geral se manter dentro dos valores esperados a nível nacional, o INSA alerta para excessos de mortalidade em Portugal Continental, com particular incidência no Norte e no grupo etário entre os 75 e os 84 anos.

Situação agrava-se também na Europa

No espaço europeu, cerca de metade dos países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu reportam níveis de procura dos cuidados de saúde acima do habitual para doenças respiratórias agudas, sinalizando uma circulação elevada de vírus. A atividade gripal continua a aumentar, predominando o vírus Influenza A, sobretudo a variante A(H3N2).

A incidência tem sido mais elevada entre crianças dos 5 aos 14 anos, embora os internamentos estejam a aumentar em todos os grupos etários, com maior impacto nos maiores de 65 anos.

Autoridades reforçam apelo à vacinação

Perante a evolução dos números, o INSA e as autoridades de saúde sublinham que a vacinação continua a ser a ferramenta mais eficaz para prevenir formas graves de infeção respiratória, apelando especialmente aos grupos de risco para que completem a imunização.

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