Póvoa de Lanhoso recria Revolução da Maria da Fonte com mais de mil figurantes

As ruas da Póvoa de Lanhoso encheram-se de história e tradição este domingo, com a realização de um cortejo histórico dedicado à Revolução da Maria da Fonte, que reuniu mais de mil figurantes numa iniciativa sem precedentes no concelho.

Integrado nas festas concelhias, o evento destacou-se pela forte mobilização comunitária, contando, pela primeira vez, com a participação de todas as freguesias e uniões de freguesia do município. Ao longo do percurso, foram recriados 23 quadros históricos que retrataram momentos marcantes da revolta popular de 1846, desde a nomeação do administrador do concelho até à simbólica vitória final.

A encenação deu vida à contestação das populações às políticas do liberalismo da época, incluindo as medidas relacionadas com a saúde pública e os polémicos “enterramentos tumultuários”, que estiveram na origem do levantamento popular liderado pela figura mítica de Maria da Fonte.

Uma das novidades desta edição foi a introdução de comentários em direto durante o cortejo, acompanhados por transmissão nos canais oficiais do município. A contextualização histórica esteve a cargo de Paulo Freitas, especialista na temática e coordenador do Centro de Interpretação Maria da Fonte, com o apoio de Raquel Silva, reforçando a componente pedagógica do evento.

O cortejo percorreu as principais artérias da vila, culminando no Largo António Lopes, local que, à época, correspondia ao antigo Largo da Fonte. Foi aí recriada a cena final da revolta, evocando a vitória popular e a demissão do administrador do concelho, num momento que terminou com o público a entoar o hino associado à revolução.

Mais do que uma simples recriação histórica, a iniciativa evidenciou o forte envolvimento da comunidade local e a importância da preservação da memória coletiva de um dos episódios mais marcantes da história contemporânea portuguesa.

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