OPINIÃO -
Vacina COVID-19: por todos e para todos

A Campanha de Vacinação Contra a COVID-19 já arrancou e representa a esperança para o tão desejado controlo da pandemia. No entanto, ela tem levantado dúvidas e incertezas à população em geral. Com este artigo, tentarei esclarecer tais receios e contribuir para a confiança neste processo vacinal, motivando a adesão de todos à vacina.

A vacina destina-se a ser ministrada a toda a população Portuguesa, desde que elegível de acordo com as indicações clínicas aprovadas para cada vacina na União Europeia. O processo de vacinação será gradual, tendo sido definidos grupos prioritários, em função da sua maior vulnerabilidade à COVID-19. No site da DGS é possível, respondendo a um breve conjunto de questões, calcular a previsibilidade da fase em que receberá a sua vacina.

A vacina contra a COVID-19 protege-nos individualmente contra a doença e suas complicações, e contribui para a proteção da saúde pública, através da imunidade de grupo. É certo que as vacinas não evitam totalmente o risco de infeção, o que não deve desencorajar a sua toma, pelo contrário, apenas recomenda que se mantenham os comportamentos responsáveis indicados pela DGS (uso de máscara, distanciamento e etiqueta respiratória). Com efeito, os poucos casos de infeção em pessoas vacinadas desenvolveram geralmente formas pouco graves de COVID-19.

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No processo de desenvolvimento e aprovação das vacinas contra a COVID-19, tal como para qualquer outro medicamento ou vacina, foi garantida a sua eficácia, segurança e qualidade, através de ensaios clínicos e de uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos. Dezenas de milhares de voluntários foram vacinados e comparados com o idêntico número de voluntários não-vacinados, quanto à ocorrência de efeitos adversos. Os voluntários vacinados foram acompanhados após a toma da 2ª dose ao longo de mais de oito semanas (período cientificamente recomendado), não se tendo observado uma frequência ou gravidade de efeitos adversos que coloque em causa a segurança das vacinas.

Importa ainda esclarecer que, ao contrário do que se especula, a vacina não contém o coronavírus, pelo que, ao fazê-la, não estará a ser infetado através da mesma. No entanto, se contraiu COVID-19 nos dias antes ou imediatamente após a vacinação, é possível surgirem os sinais da doença poucos dias depois da vacinação.

As pessoas que já tiveram COVID-19 adquiriram proteção contra a doença. Presentemente, essa proteção aparenta durar pelo menos três ou quatro meses, mas só com o tempo se saberá por quanto tempo mais se prolonga. A maioria dos especialistas considera ser seguro que quem já teve a doença tome a vacina. Contudo, enquanto o número de vacinas for muito limitado, as pessoas que tiveram COVID-19 no passado não serão priorizadas.

Um vacinado só se deve considerar protegido da doença sete dias depois da toma da segunda dose da vacina. Este é o período que dá garantia de uma resposta robusta por parte do seu sistema imunitário. Por outro lado, desconhece-se ainda se estar vacinado impede a infeção assintomática. As vacinas conferem proteção contra a doença, mas não necessariamente contra ser portador e transmissor do vírus, sem exibir sintomas. Assim, mesmo após ser vacinada, a pessoa deve continuar a observar todas as medidas preconizadas para a sua proteção e contenção da transmissão. As máscaras, o distanciamento e as regras de etiqueta respiratória evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos portadores do vírus sem o saber.

Lembre-se que a COVID-19 se transmite através de gotículas expiradas pelo nariz ou boca, particularmente ao falar ou tossir. Também pode ser transmitida tocando nos olhos, nariz e boca após contato com objetos ou superfícies contaminadas.

Vacine-se sem receio, esperando para o efeito o contato dos serviços de saúde!