OPINIÃO -
Viagem ao centro do confinamento humano.

A pandemia instalada em todo o mundo, desvenda mentiras reconfortantes e intensifica a solidariedade por toda a sociedade. O Presidente da República, num discurso que fez ao país disse: “Ninguém vai mentir a ninguém. Isto vos garante o Presidente da República.”. António Costa, numa entrevista: “Até agora não faltou nada e não é previsível que venha a faltar o que quer que seja.”. A ordem dos Médicos apelou a todas as entidades que disponham de equipamentos de proteção como mascaras, viseiras e luvas, que cedam aos profissionais de saúde para colmatar os “problemas de stock”. A ordem dos enfermeiros denunciou a “flagrante” falta de material para proteger os profissionais de saúde. A diretora geral de Saúde Graça Freitas, indicou que o uso de máscaras dá “uma falsa sensação de segurança”. 

A partir do momento que o homem começou a comunicar, a mentira passou a fazer parte da exposição oral. Mentir é usado para contradizer algo que se acredita, pensa ou sabe ser verdade. No entanto, afirmar um facto sem conhecimento se é verdadeiro ou falso, aumenta uma história dando ostentação as situações desnecessárias para engrandecer o conto, ludibriar-se ou lograr o próximo. Na ânsia de viver grandiosidades a culpa é geral, por vezes acabamos por diminuir a ilusão do que as pessoas em que acreditamos seriam capazes de abandonar. Não somos perfeitos, muito pelo contrário, somos feitos de arestas que arranham e magoam os outros, mesmo tendo a melhor das intenções. Ninguém esta imune ao engano. As mentiras, muitas vezes, é a única para dissuadir algumas pessoas e são quase sempre reconfortantes. A verdade, requer esforço e necessita de honestidade, na maioria dos casos ninguém gosta por ser incómoda e dolorosa, então para mover relações, mentir torna- se mais fácil. 

A irresponsabilidade pessoal está relacionada com a imaturidade emocional e com falta de habilidades sociais. Se não nos responsabilizarmos pelos nossos erros, assumimos que estes não existem, que somos infalíveis, que a nossa ação não tem consequências e que, portanto, somos capazes de tudo. Se todos mentirmos e mentirmos tanto, ou andamos distraídos ou fingimos que não vemos o que realmente se passa. Como podemos ver, as pessoas que não admitem seus erros fazem uso de uma serie de estratégias psicológicas para iludir descaradamente sua responsabilidade. A história esta carregada de mentirosos. Na política, a mentira compulsiva descreditou toda uma classe. No jornalismo, é a morte de um artista. Na arte, pode fazer parte de um negócio e atender pelo nome de ficção. 

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O Papa Francisco caminhou sozinho na Praça de São Pedro completamente vazia, que está habitualmente repleta de fiéis, a Fé e a Esperança, continua e continuará sempre presente em cada individuo da sociedade. “Mostra-nos como deixamos adormecida e abandonada aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade.”, sublinhou o Papa. Garantidamente, durante o tempo de confinamento possível, grande parte da população promoveu autorreflexão direcionado a uma viagem ao centro do conceito humano. Nunca é tarde demais para sair do pedestal e ser humano, admitir o erro e ter diante de si uma maravilhosa oportunidade de crescimento pessoal. A solidariedade, continua a despertar sentimentos da sociedade e levou a inúmeras iniciativas solidarias, reconhecendo as inúmeras dificuldades provocadas pela pandemia. Distribuição de bens alimentares, doação de produtos proteção individual, doação de equipamentos, entre outros, foram algumas das ações solidarias que se espalharam pelo país e uniram o povo para enfrentar e superar uma das maiores crises de saúde pública do seculo XXI. 

Como vai ficar? Ainda existe muita incerteza.
O que necessitamos é de ultrapassar esta pandemia, reentrar numa nova fórmula de “normalidade” alterada e adaptada. Só assim podemos deixar as interrogações para desencadear novamente o presente sem hesitar o futuro.