Motoristas dos Transportes Urbanos de Braga ficam anos sem folgar aos fins de semana

Cerca de 70 motoristas dos TUB – Transportes Urbanos de Braga não têm folgas ao fim de semana há vários anos. A empresa municipal diz que os trabalhadores aceitaram quando foram contratados.

O Jornal de Notícias (JN), que avança a informação, apresenta os casos de Bruno Silva e de Rui Fernandes, dois motoristas, o primeiro com cinco anos de casa e o segundo com dois, que não sabem o que é uma folga ao sábado e domingo.

Ao todo, se a média se cumprir, vão estar perto de sete anos sempre a trabalhar aos fins de semana, a não ser, por deferência da empresa municipal, aquando de um casamento ou de um batizado.

Estes profissionais só começam a ter folgas ao sábado e domingo à medida que vão entrando novos motoristas, o que tem acontecido. Mesmo assim, dizem, ficam em média sete anos sem descanso ao fim de semana. Bruno Silva e Rui Fernandes queixam-se também do sistema de marcação de férias, que faz com que estas ocorram em janeiro ou fevereiro, todo o mês, embora com uma bonificação de cinco dias.

De acordo com a administração da empresa municipal, quando foram contratados, os trabalhadores aceitaram que seria assim e salienta que foi feita uma consulta interna, tendo 83% dos 271 condutores dito que queriam manter o sistema.

Citado pelo JN, o administrador dos TUB, Teotónio dos Santos, explicou que o sistema de folgas funciona assim “desde sempre” e que os motoristas rejeitaram, numa espécie de referendo, a sua alteração.

“Quando são admitidos, assinam um contrato em que tal está bem definido. E dispensamo-los sempre que tal se justifique pela sua vida pessoal”, explicou, vincando que o sistema tem apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local. No caso das férias, segundo Teotónio dos Santos, é impossível adotar outro método.

A posição do administrador é contestada pelos queixosos, que dizem que o questionário sobre o regime de folgas só tinha duas hipóteses, o sim ou o não, quando a empresa deveria ter estudado e proposto soluções alternativas. Sobre o sindicato, afirmam que apenas defende os mais antigos, tendo sido, por isso, que o abandonaram.

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