A Escola Secundária foi o palco escolhido para o debate que, esta tarde de sábado, juntou os seis candidatos à presidência da Câmara Municipal de Amares nas eleições do próximo dia 12 de outubro.
Promovido pelo jornal “O Amarense”, em parceria com a Creative Zone, com moderação dos jornalistas Carlos Machado Silva e Ricardo Reis Costa, o debate permitiu a Emanuel Magalhães (PSD), Pedro Costa (PS), José Manuel Faria (Chega), Nuno Reininho (CDU), Álvaro Silva (independente – Renascer Amares) e Rui Tomada (independente – Amar e Servir Amares) apresentar as suas propostas para um concelho até agora ‘governado’ por Manuel Moreira, impedido de se recandidatar por ter atingido o limite de mandatos consecutivos.
Ao longo de mais de duas horas, os candidatos falaram da “eterna” requalificação da Secundária, de água e saneamento, da rede viária “dos remendos”, da “urgente” abertura de creches públicas, ou “desorganização” dos serviços camarários, mas foi a “novela do lixo” que marcou grande parte do debate, tal como acontece hoje em dia o noticiário sobre o concelho.
A entrega da recolha do lixo a uma empresa privada, por cerca de 6,3 milhões de euros, foi considerada unanimemente “um erro”, que poderá ser corrigido se o Tribunal de Contas (TC) chumbar o contrato.
O socialista Pedro Costa salientou que esteve ao longo de oito anos “a lutar sozinho”, como vereador da oposição, contra a concessão a privados, solução encontrada por Manuel Moreira para responder a uma situação resultante do “desinvestimento no serviço de recolha”, que se traduziu “em camiões avariados e camiões alugados a 600 euros por dia”. “Coisas absurdas”, resumiu.
Segundo Pedro Costa, o contrato não prevê a alteração do modelo de recolha (“todos sabemos que o modelo está errado”) e levará a um aumento das tarifas. O candidato do PS afirmou que, em caso de vitória nas eleições, negociará um novo modelos de gestão com a empresa. “Isso pode custar dinheiro, mas o modelo tem que ser negociado”.
José Manuel Faria, do Chega, disse que nesta matéria está “alinhado” com o PS. “A Câmara assinou um contrato sem perceber o que lá estava, ao ponto na última Assembleia Municipal querer dar o dito por não dito”, afirmou, frisando que “ninguém sabe o que acontecerá em caso de a Câmara romper o contrato”.
Defendeu que terá de haver “uma renegociação para minimizar os prejuízos”. E passou ao ataque: “Quem esteve a governar Amares nos últimos anos tem que dar a cara por isso”.
Rui Tomada, do ‘Amar e Servir Amares’, acredita no chumbo do TC e que a concessão “é um erro”. E levou números para o provar. De acordo com Rui Tomada, o preço de quatro camiões, combustível, ordenados de colaboradores (salário mínimo), o encargo da autarquia chegaria aos 1,2 milhões de euros, bem abaixo dos 6,3 milhões da concessão.
O candidato da CDU, Nuno Reininho, pegou nos salários dos trabalhadores, desmontando a “falsa” ideia de que não há trabalhadores disponíveis para aquele serviço. Argumentou com a chamada “opção gestionária”, um mecanismo legal que permite promover os trabalhadores mais rapidamente, que acedem ao topo de carreira, e logo a melhor salário, três anos antecipadamente.
Sobre Manuel Moreira não ter optado por esta mecanismo, Nuno Reininho atirou: “É inacreditável que um autarca não se preocupe com quem trabalha para todos nós”.
Álvaro Silva, do movimento ‘Renascer Amares’, não se alargou sobre o assunto. Foi categórico: “Sou completamente contra a entrega da recolha do lixo a privados”.
Para o candidato independente, “o tratamento do lixo e do ambiente é o espelho do concelho. Quem nos visita repara nisso”, disse, avisando que a entrega do serviço “é correr mais um risco”.
O social-democrata Emanuel Magalhães, que votou favoravelmente a concessão, reconheceu que mudou de posição. “Ao longo do processo fui mudando de opinião”, afirmou, explicando que a razão que determinou a alteração de posição foi descobrir que “a Comunidade Intermunicipal do Cávado tinha 600 mil euros para Amares investir na gestão de resíduos”.
“Esta verba seria muito útil para impulsionar a recolha do lixo pelo município”, apontou.
Se o TC der ‘luz verde’ ao contrato de concessão, ao candidato do PSD não resta outra solução que cumprir. “Mas fiscalizarei tudo o que tenha a ver com o cumprimento do serviço”, assegurou.








































































